O filme “Xica da Silva”, lançado originalmente em 1976, retorna aos cinemas brasileiros após completar 50 anos. A cópia do longa-metragem, restaurada pela Sessão Vitrine Petrobras, será exibida pela primeira vez durante o 21° Festival de Cinema de Ouro Preto neste domingo (28).
Dirigido por Cacá Diegues, o filme foi um sucesso de bilheteria, atraindo mais de 3,1 milhões de espectadores aos cinemas, e conquistou os prêmios de Melhor Filme, Direção e Atriz no Festival de Brasília.
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Sem abandonar preocupações políticas e históricas, Xica da Silva combina humor, erotismo, música, espetáculo e linguagem popular para colocar uma mulher negra no centro absoluto da narrativa. Adaptado do livro “Memórias do Distrito de Diamantina da Comarca do Serro Frio”, de João Felício dos Santos, o filme criou uma versão mais irreverente, sensual e subversiva da personagem histórica e foi frequentemente apontado como um comentário ousado — ainda que indireto — sobre o regime autoritário que governava o país em 1976.
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Chica da Silva foi uma mulher negra escravizada que, após conquistar a alforria, rompeu os padrões de sua época ao manter por cerca de 15 anos uma relação pública com João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes e um dos homens mais ricos do Império Português.
Com ele teve 13 filhos, criados com privilégios raramente concedidos a descendentes de uma ex-escravizada. Após a partida de João Fernandes para Portugal, Chica assumiu a administração de parte dos negócios e consolidou uma posição de destaque na sociedade local.
Além do imenso sucesso de público, o longa representou a consagração de Zezé Motta no imaginário brasileiro. A atriz, que já havia participado de filmes e produções televisivas, foi amplamente aclamada pela crítica e recebeu alguns dos principais prêmios do cinema nacional por sua atuação, entre eles o Prêmio Air France, o Coruja de Ouro, o Prêmio Governador do Estado e o já citado troféu de Melhor Atriz no Festival de Brasília.
Cinco décadas depois, Zezé permanece como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, símbolo de resistência para a comunidade negra e figura fundamental nas discussões sobre representação racial no país.
“Poucos filmes brasileiros carregam tantas cores quanto ‘Xica da Silva’. Restaurá-lo é preservar a força de uma obra que rompeu padrões, exaltou a cultura negra, colocou uma mulher no centro da narrativa e conquistou o público sem abrir mão de sua ousadia”, afirma Silvia Cruz, idealizadora do projeto e sócia da Vitrine Filmes.
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