A cantora Célia Sampaio se apresenta nesta quinta-feira (14) e sexta-feira (15) em São Paulo. O espetáculo “Eparrey” ocorre no Sesc 24 de Maio e no Sesc Campo Limpo, sempre às 20h.
O show celebra o EP mais recente da artista, trabalho dedicado à orixá Iansã. O repertório percorre quatro décadas de carreira. Célia inclui faixas do EP e sucessos como “Black Power“, música que a consagrou como cantora de reggae, além de “Mulher Negra” e “Negra Nagô”.
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A lista completa conta com 15 músicas, entre elas “Tempo Bom”, “Adupe”, “Jamaica Brasileira” e “Crioula Valente”.
“O público pode esperar um espetáculo contendo vários ritmos musicais em fusão, tendo como centro a música reggae e a poesia”, afirma a cantora. “O show é uma espécie de exaltação desta força, que é criadora e resiste neste mundo marcado por violências.”
A apresentação ocorre dois dias após o Dia Nacional do Reggae, celebrado em 11 de maio. Célia Sampaio, natural de São Luís do Maranhão, capital conhecida como a “Jamaica brasileira”, avalia a data como uma conquista do movimento.
“Essa data foi uma conquista feita pelo movimento reggae. Lembro de Jussara Santana, na Bahia, e outras pessoas do reggae lutando em Brasília por essa data”, conta a cantora em entrevista à Alma Preta.
“Para nós que vivenciamos o reggae todo dia, esta é uma data de alegria, luta. Lembramos do Bob Marley por conta do seu falecimento e reconhecemos como importante pois entendemos o reggae como instrumento de transformação, educação e identidade”, celebra.

Primeira mulher do reggae no Brasil
Célia Sampaio carrega o título de “Dama do Reggae” há décadas. Ela foi a primeira mulher a gravar um disco de reggae no país.
“Abrir os caminhos para as mulheres foi uma luta árdua mas importante para o meu crescimento e amadurecimento”, afirma. “Não é fácil estar no meio masculino. Mesmo sendo negros e de classe social parecida, o gênero sobressaía.”
A artista conta que demorou a perceber sua posição de pioneira. “Somente em São Paulo vi em uma loja uma revista com vários cantores nacionais e eu era a única mulher entre vários homens. Fiquei incomodada e me sentia sem força. Quando as mulheres foram chegando, me senti cada vez mais fortalecida.”
O reggae de São Luís possui identidade própria, diferente do ritmo jamaicano e do produzido em outros estados brasileiros. Célia explica a diferença.
“Nós criamos nossa forma de nos identificarmos com essa música jamaicana que foi através da dança, uma forma só nossa de dançar o reggae”, diz. “Nós já vinhamos escutando o bolero, depois chegaram a salsa e o merengue. Então quando o reggae chegou, nós mantivemos o gingado presente nestes ritmos, marcando na pulsação do contrabaixo os nossos movimentos.”
A cantora afirma que os maranhenses “não entendem o inglês e a poesia, mas entendem muito bem a música, o ritmo, que são maiores que a barreira linguística. Nós criamos uma forma própria de identificação com essa música, que é o nosso gingado.”
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A mensagem do terreiro
Célia Sampaio levará a seus dois shows em São Paulo a mensagem de sua vivência religiosa. “Espero levar a mensagem do meu terreiro, da minha vivência. Apresentarei minha cultura e minha identidade religiosa”, afirma.
Sobre as diferentes plateias das duas unidades do Sesc, a cantora diz que a energia dos orixás não faz distinção. “A força e energia dos orixás estão abertos a todos que desejam cuidá-los. Eles não fazem distinção de cor, credo, raça e classe. Eles querem ser admirados, devotados, que cantemos para eles e que sua energia seja valorizada.”
Serviço
Espetáculo ‘Eparrey’
Sesc 24 de Maio
Quando: 14 de maio (quinta-feira)
Horário: 20h
Onde: R. 24 de Maio, 109 – República, São Paulo (SP)
Sesc Campo Limpo
Quando: 15 de maio (sexta-feira)
Horário: 20h
Onde: R. Nossa Sra. do Bom Conselho, 120 – Vila Prel, São Paulo (SP)
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