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Novíssimo Edgar reorganiza sua obra a partir do reggae em novo álbum

Novo álbum marca retorno consciente do artista a linguagens que atravessam sua formação e reposicionam sua escuta no presente
O jovem artista Novíssimo Edgar.

O jovem artista Novíssimo Edgar.

— Divulgação/Vicente Otavio

11 de abril de 2026

O artista Novíssimo Edgar lançou “REWIND”, álbum em que reorganiza sua obra a partir do reggae, do dub e da cultura de sound system – territórios que atravessam sua formação desde os primeiros anos na cena periférica de Guarulhos (SP).

O disco não opera como uma mudança abrupta de estilo, mas como um gesto de retorno consciente, em que referências formativas passam a ocupar o centro da linguagem artística do músico.

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“O título representa um momento de rebobinar, não só na música, mas também na vida pessoal. É a ideia de voltar às origens e olhar para raízes que, em alguns momentos, não receberam tanta atenção”, afirma Edgar. “O reggae faz parte da minha formação desde o começo, principalmente dentro da cena de sound system”.

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No álbum, a cultura de sound system surge como referência estética e política de Novíssimo Edgar, trazendo o grave para o centro da experiência musical e o deslocando da relação com o som do espaço íntimo do fone. O álbum se constrói nesse diálogo entre rua, palco e estúdio, em colaboração com produtores e artistas ligados à mesma cena independente.

“Esse trabalho é sobre a cultura sound system, da galera que faz a parada na rua, na resistência, levando o trampo na cara e na coragem. Foi esse movimento que me deu vontade de trazer isso para o meu trabalho atual”.

Abrindo o disco, “Pode Até Tentar” é um gesto de afirmação diante da própria dúvida criativa. “Copy With Guns” e “Mão Pro Alto” tensionam temas sociais a partir da linguagem do reggae, enquanto “Baila Loko” e “Beija e Abraça” ampliam o território do álbum ao dialogar com cumbia e funk.

Em “Zum, Zum, Zum”, Novíssimo Edgar revisita uma composição da juventude em chave dub, ativando o gesto de retorno que atravessa o projeto. Já faixas como “Jah Alone”, “Je Suis Défoncé” e “Comme Une Flèche” aprofundam a pesquisa com atmosferas mais noturnas, com o uso de outros idiomas e com a dimensão mais experimental do trabalho.

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“Eu falo de coisas pessoais, da vivência na periferia, da violência policial, mas, neste álbum, busco mais sensações do que mensagens diretas. É tentar despertar memórias e paisagens sonoras”, afirma.

Produzido de forma colaborativa, REWIND reúne riddims assinados por Jamil Djanguru, Dang, Ruy Rascassi, Thiago Duarte e Kazvmba, com gravações de voz realizadas no estúdio Rude.Ark. A cantora francesa Matilde participa dos arranjos vocais e das faixas em inglês e francês, ampliando a pesquisa do artista com outros idiomas e camadas de interpretação. A mixagem é de BuguinhaDub, com master de Arthur Joly.

“Esse lançamento representa uma maturidade de poder fazer o que eu quero, sem me preocupar com mercado ou tendências. Estou fazendo música do jeito que eu gosto, de forma independente”, resume.

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