Olimpíadas 2024

Pesquisar
Close this search box.
Pesquisar
Close this search box.

Dissertação de mestrado destaca o impacto social e político do hip-hop em São Bernardo do Campo

Estudo do ex-rapper e MC Felipe Silveira Campos, pesquisador da USP, analisa a Batalha da Matrix e o papel transformador do movimento hip-hop
Imagem da Batalha da Matrix, em 2017, objeto de estudo da dissertação de mestrado do ex-rapper e MC Felipe Oliveira Campos, sobre o papel transformador do hip-hop em São Bernardo do Campo.

Foto: Arquivo Pessoal

18 de junho de 2024

O hip-hop vai além de um simples movimento cultural; ele também atua como um agente de mudança social e política. Esta é a premissa central da dissertação de mestrado “Cultura, Espaço e Política: um estudo da Batalha da Matrix em São Bernardo do Campo”, apresentada pelo ex-rapper e MC Felipe Oliveira Campos na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação do professor Carlos Henrique Barbosa Gonçalves.

Campos, em sua pesquisa, analisa as transformações no movimento cultural hip-hop ao longo dos anos, focando particularmente nas batalhas de MCs, que se proliferaram ao nível municipal, regional e estadual. Por meio de entrevistas com MCs e membros da Sociedade Alternativa de Campo (S.A.C.), entidade organizadora da Batalha da Matrix, o estudo detalha como o movimento precisou atuar politicamente para garantir que jovens, majoritariamente negros e periféricos, continuassem a frequentar a Praça da Matriz, no centro de São Bernardo do Campo.

As batalhas de MCs, um dos pilares do hip-hop ao lado da dança, música, MCs e DJs, são competições de rimas improvisadas em três rounds de até 30 segundos cada. O vencedor é escolhido pelo público com base na intensidade dos aplausos. Segundo Campos, essas batalhas evoluíram ao longo dos anos, apresentando uma nova estética nas rimas. “Com o crescimento das batalhas de MCs, houve uma complexificação da organização dos versos, que agora incluem rimas internas além das rimas finais, mostrando uma busca por originalidade e técnica”, explica o pesquisador no Jornal da USP.

O pesquisador destaca que o hip-hop tem o poder de transformar estigmas de uma população marginalizada em orgulho e conscientização. “O hip-hop é importante porque permite à população que enfrenta um genocídio, más condições de moradia e adversidades diversas, transformar esses estigmas em orgulho negro e periférico, promovendo um senso de pertencimento e vislumbrando uma transformação social”, afirma Campos. Ele também ressalta a influência artística do movimento na sociedade brasileira, citando exemplos como Emicida e Racionais.

Além disso, Campos observa que as batalhas de MCs ensinam os participantes a manterem a calma e responderem de forma contundente aos ataques dos oponentes. “As batalhas mostram a capacidade dos indivíduos de superar adversidades. É uma postura de vida: transformar o ataque em defesa e responder rapidamente ao adversário para conquistar a vitória”, conclui Campos.

A tese “Cultura, Espaço e Política: um estudo da Batalha da Matrix em São Bernardo do Campo” pode ser consultada na íntegra neste link.


Texto com informações do Jornal da USP.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia Mais

Quer receber nossa newsletter?

Destaques

AudioVisual

Podcast

papo-preto-logo

Cotidiano