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Documentário revisita história da rebelião dos jangadeiros, marco do abolicionismo no Ceará

A Greve dos Jangadeiros ocorreu em 1881 no Ceará, estado que aboliu a escravidão em 1884, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea
A atriz Samylla Costa interpreta Nina no filme "A Rebelião dos Jangadeiros".

A atriz Samylla Costa interpreta Nina no filme "A Rebelião dos Jangadeiros".

— Gavulino Filmes/Divulgação

22 de fevereiro de 2026

O documentário “A Rebelião dos Jangadeiros” será exibido no Cinema do Dragão, em Fortaleza, nos dias 24 e 25 de fevereiro, às 17h20. O filme revisita a histórica Greve dos Jangadeiros, de 1881, marco do movimento abolicionista no Ceará.

Dirigido por Cinthia Medeiros e Demitri Túlio, com produção executiva de Íris Sodré, da Gavulino Filmes, e codistribuição da Kajá Filmes, o documentário lança luz sobre um dos capítulos mais potentes e historicamente silenciados do Ceará, estado que aboliu a escravidão em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. O filme resgata o momento em que jangadeiros se recusaram, na então Praia do Peixe (atual Praia de Iracema), a transportar pessoas escravizadas para navios com destino ao Sul e Sudeste do país.

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O espaço que exibe o filme em Fortaleza carrega simbolismo histórico: o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura homenageia Francisco José do Nascimento, jangadeiro conhecido como Dragão do Mar. O longa reconta essa história, dando luz a outros nomes.

Com abordagem histórica, social e contextual, o documentário reúne depoimentos dos historiadores Jones Manoel e Arilson Gomes; das antropólogas Antônia de Araújo e Vera Rodrigues; da cantora, compositora e ativista Mallu Viturino; do museólogo Saulo Moreno; do cientista social Hilário Ferreira; do desembargador André Costa; e de Lúcia Simão, fundadora do Grupo de Consciência Negra do Ceará (Grucon).

Falecida em agosto de 2025, Lúcia Simão tem presença marcante no filme. Além do depoimento, ela entoa as loas, que são cantos ancestrais, que celebam a tradição e a cultura afro-brasileira, ampliando a dimensão simbólica, política e espiritual da narrativa. Sua participação configura também um gesto de memória e homenagem a uma das vozes precursoras do movimento negro cearense.

Ao revisitar o episódio de 1881, o documentário atualiza o debate sobre a abolição no Brasil e propõe reflexões sobre a permanência do racismo estrutural e das novas formas de escravização. “Quem não sabe de onde veio, não sabe para onde vai”, afirma a antropóloga Vera Rodrigues no filme, ao destacar a importância da memória histórica na construção da identidade coletiva.

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