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Escritor baiano Lucas de Matos leva projeto de poesia para Angola

O autor retorna ao continente africano com o projeto "Preto Ozado: Circuito de Lira Afrolusófona"
O escritor Lucas de Matos.

O escritor Lucas de Matos.

— Fabiano Pereira

24 de fevereiro de 2026

Entre os dias 25 de fevereiro e 3 de março, o escritor e comunicador baiano Lucas de Matos realiza em Luanda, Angola, o projeto Preto Ozado: Circuito de Lira Afrolusófona. A atividade é uma circulação literária internacional que articula poesia falada, mediação de leitura, audiovisual e intercâmbio cultural entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa (PALOP).

Com atividades no Instituto Guimarães Rosa – Luanda, na Biblioteca Contr’Ignorância, na Kiela Livraria e no Centro de Animação Artística do Cazenga (ANIM’art), o projeto promove a circulação do livro “Preto Ozado” (2022) em diálogo com obras de escritores africanos contemporâneos, fortalecendo conexões no campo da literatura afrolusófona.

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O circuito se estrutura como espaço de troca estética e política, onde a palavra poética é compreendida como ferramenta de memória, identidade, crítica social e pertencimento. O autor, que já realizou lançamento do livro em Moçambique, destaca a importância de fazer travessias compartilhando sua arte.

“É uma maneira de fortalecer a literatura brasileira em solo africano”, destaca o comunicador que, em 2025, entrevistou a escritora Paulina Chiziane em Moçambique. “O projeto busca aproximações com a poesia daqui e de lá. Vamos experimentar a palavra para além da escrita, mas sobretudo na fala e na interpretação. Estou muito entusiasmado”, destaca.

O livro ‘Preto Ozado

Preto Ozado, obra que marca a estreia de Lucas de Matos no mercado editorial,  circulou em lançamentos realizados em diversas cidades do Brasil. A obra alcançou o 39º lugar entre os livros de literatura e ficção mais vendidos da Amazon e já ultrapassou a marca de 5 mil exemplares vendidos em todo o país.

Reunindo mais de 45 poemas, organizados nas seções “De Onde Vim”, “Onde Estou” e “Para Onde Vou”, a obra aborda temas como antirracismo, ancestralidade e o poder transformador da educação. A publicação conta ainda com ilustrações evocativas de Silvana de Menezes, que ampliam e enriquecem a experiência estética do leitor.

Vivência como experiência de expressão poética

O termo “vivência” substitui propositalmente a noção tradicional de “oficina”. A proposta ultrapassa o caráter técnico e se configura como experiência compartilhada, articulando leitura, escuta, oralidade e interação com a palavra.

A partir de exercícios práticos e dinâmicas conduzidas por Lucas de Matos, os participantes exploram ritmo, respiração, presença cênica e interpretação falada, experimentando a poesia como prática performática. O processo culmina no Sarau do Preto Ozado, apresentação coletiva em que cada participante compartilha textos autorais ou de referência, ao lado de artistas angolanos convidados. As ações são gratuitas.

Cinema, literatura e intercâmbio cultural

A programação inclui a sessão de cinema “Dos livros pras telas”, com exibição do minidocumentário “Preto Ozado” e da série “Confissões de Viajante sem Grana”. Após as exibições, o público participa de bate-papo com Lucas de Matos, a produtora cultural Manoela Ramos e o roteirista e fotógrafo Edvaldo Silva Júnior, responsável pela montagem do minidocumentário.

Também integra o circuito o lançamento do livro Preto Ozado, com sessão de autógrafos e roda de conversa sobre o cenário editorial afro-brasileiro e africano. O debate aborda desafios estruturais da publicação independente, políticas de leitura e circulação internacional de obras.

Agenda:

Biblioteca Contr’Ignorância
25 de fevereiro: 16h às 18h – Vivência de Performance Poética
18h às 19h30 – Sessão de cinema
28 de fevereiro:
 14h às 17h – Sarau do Preto Ozado

Livraria Kiela
27 de fevereiro:
18h – Encontro sobre poesia brasileira, com Lucas de Matos e Manoela Ramos

ANIM’art
3 de março:
 14h às 16h – Vivência de Performance Poética
17h às 18h – Sessão de cinema

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