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Espetáculo investiga a naturalização da branquitude no Brasil

Com apresentações em três teatros de São Paulo, projeto inclui oficinas abertas de reflexão crítica e debates sobre privilégio branco
Imagem de divulgação do espetáculo "Patente" mostra um homem jogando xadrez.

Imagem de divulgação do espetáculo "Patente" mostra um homem jogando xadrez.

— Marcelle Cerutti/Divulgação

1 de março de 2026

Estreia em março em São Paulo, com temporada em três teatros diferentes, o espetáculo “Patente”, que dialoga com “Otelo”, de William Shakespeare. Com direção de Anderson Negreiro, que assina a dramaturgia ao lado de Thiago Marques e Leonardo Chaves, a montagem parte de um prelúdio imaginário da tragédia shakespeariana para investigar a branquitude e seus mecanismos de naturalização no Brasil.  

No palco, Iago e Otelo dividem a mesa antes da tragédia original, mas eles também são Leonardo e Thiago: um ator branco e um ator negro que discutem, no presente, a criação de “Patente”. Um jantar — preparado ao vivo pelos atores — permeia as duas camadas e transforma a cena em um espaço de tensionamento. 

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“‘Otelo’ é uma tragédia das aparências. Iago afirma no texto de Shakespeare ‘não sou o que sou’. Essa lógica nos interessa porque a branquitude também opera por falsas pistas. O jantar parece afeto — mas será? O colorismo é outra dessas armadilhas. A peça expõe as engrenagens e deixa o público diante da pergunta”, afirma Leonardo Chaves, ator e dramaturgo.

Resultado de um processo conjunto, o espetáculo foi inicialmente concebido por Leonardo Chaves, que, durante o isolamento da pandemia, decidiu transformar inquietações sobre branquitude em material cênico. Com a entrada de Thiago Marques e Anderson Negreiro, novas camadas foram incorporadas ao projeto, alterando sua perspectiva dramatúrgica.

“A perspectiva muda quando entram corpos negros em cena. A ideia do colorismo, por exemplo, surge das provocações do Anderson. A escolha de ‘Otelo’ também não é aleatória: ao trazê-la para o presente, percebemos como a branquitude se afirma como norma, como se o branco fosse o padrão invisível que organiza as relações”, diz Chaves.

Ao borrar fronteiras entre ficção e realidade, Shakespeare e contemporaneidade, a peça teatral convida o público a reconhecer seu próprio lugar dentro do jogo dramatúrgico.

Oficinas de reflexão crítica sobre a branquitude

Como desdobramento da temporada, o projeto realiza três oficinas abertas ao público dedicadas à reflexão crítica sobre a branquitude. A atividade é fundamentada em materiais do Observatório da Branquitude e propõe um espaço estruturado de escuta e responsabilização.

A partir da apresentação de conceitos como branquitude, racismo estrutural, fragilidade branca e pacto narcísico, os participantes são convidados a responder perguntas orientadoras sobre privilégios, silenciamentos e dinâmicas raciais presentes em seus próprios contextos. A proposta não oferece respostas prontas, mas provoca deslocamento.

Serviço

Espetáculo
“Patente”
70 minutos | 14 anos | Entrada gratuita com retirada de ingresso uma hora antes do espetáculo
Contribuição voluntária (Pix): [email protected]
(Banco Santander – Leonardo Chaves Machado – conta poupança)

Teatro Arthur Azevedo
Datas:
19, 20, 21, 22, 26, 27, 28 e 29 de março de 2026
Horários: Quintas a sábados, às 20h; domingos, às 19h

Teatro Alfredo Mesquita
Datas:
2, 3, 4, 5, 9, 10, 11 e 12 de abril de 2026
Horários: Quintas a sábados, às 20h; domingos, às 19h

Teatro Paulo Eiró
Datas:
16, 17, 18, 19, 23, 24, 25 e 26 de abril de 2026
Horários: Quintas a sábados, às 20h; domingos, às 19h

Oficinas
“Reflexão crítica à branquitude”
Datas: 6 e 8 de abril, das 19h às 21, e 11 de abril, das 14h às 16h

Endereço: Casa Farofa — Rua treze de maio, 240, Bixiga, São Paulo – SP

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