PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Exposição em SP apresenta 40 anos de produção do fotógrafo Wagner Celestino

Mostra individual reúne imagens de resistência e empoderamento negro com fotos inéditas de ícones do samba como Dona Ivone Lara e Zé Keti
Dona Ivone Lara e Zé Keti.

Dona Ivone Lara e Zé Keti.

— Wagner Celestino

15 de junho de 2025

De 28 de junho a 12 de outubro de 2025, o Sesc Itaquera, recebe a exposição “Constelação Celestina”, mostra individual do fotógrafo e documentarista Wagner Celestino, artista autodidata nascido na Zona Leste de São Paulo. A exposição reúne registros que destacam e celebram a cultura, a história e a contribuição negra para a construção da identidade cultural paulista. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos.

A mostra – que teve sua primeira montagem em 2023 no Sesc 14 Bis – chega ao Sesc Itaquera com a adição de imagens inéditas, realizadas pelo artista na unidade em 1995. Na ocasião, Celestino registrou o encontro de dois grandes nomes do samba: Dona Ivone Lara e Zé Keti.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Com curadoria do professor e artista visual Claudinei Roberto da Silva, a exposição reúne 108 obras de grande relevância para a memória da cultura negra e suas diversas manifestações culturais, abrangendo mais de quatro décadas da produção artística de Celestino. Diversas séries produzidas pelo artista ao longo da sua extensa carreira estarão presentes na exposição, como “Retratos”, “Carnaval” e “Velha Guarda”.

Em “Retratos” estão imagens de homens, mulheres e crianças, algumas delas unidas pelos laços de sangue, outras por fortes laços de afeto. Ao retratar também alguns de seus familiares, como o pai, Camilo Celestino, o tio, Francisco Arruda, e dois de seus filhos, Celestino aprofunda as reflexões sobre o tema ancestralidade.

Já “Carnaval” parte do interesse do fotógrafo pelo samba e pelas festas populares. Nascido na Vila Matilde, Celestino testemunhou desde cedo o envolvimento da comunidade em torno da festividade, o que marcou fortemente a sua produção artística. Sua lente se voltou especialmente à ala das baianas, à comunidade negra e à Velha Guarda, grupos que ele percebia como marginalizados na cobertura midiática tradicional.

Lugares de resistência e tradição da cultura afro-diaspórica, as escolas de samba foram registradas por Celestino na série “Velha Guarda”, dedicada à preservação da memória dos patriarcas e matriarcas do samba paulistano. Os registros, realizados entre 2003 e 2008, trazem fundadores de agremiações carnavalescas, compositores e produtores culturais. Figuras como Seu Nenê da Vila Matilde, Seu Carlão da Peruche e Seu Xangô da Vila Maria estão entre os retratados, em um trabalho de valorização e salvaguarda da memória do samba paulistano e da cultura afro-brasileira.

Também estão presentes na exposição as fotos que o artista fez em outros momentos, como as que compõem o livro “Cortiços – uma realidade que ninguém vê”, de 1998, lançado pela Edições Loyola. Nelas estão retratadas famílias moradoras de habitações coletivas nos bairros Cambuci, Mooca e Bixiga.

Em agosto de 2023, Celestino retornou ao Bixiga para realizar os registros de figuras importantes do bairro, sua cultura e festividades, como dos integrantes da Pastoral Afro da Igreja Nossa Senhora Achiropita. A série, batizada de “Residência Bixiga”, levou o artista a um dos locais

Serviço

Exposição “Constelação Celestina”

De 28 de junho a 12 de outubro, quartas a domingos e feriados, das 9h às 17h

Local: Sesc Itaquera – Av. Fernando Espírito Santo Alves de Mattos, 1000, Itaquera, São Paulo (SP)

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano