A arte como motor de transformações sociais foi o fio condutor do Festival Negritudes, que reuniu 11,5 mil pessoas no Sesc Pompeia, em São Paulo, na última quinta-feira (18). Com a presença de artistas, comunicadores e especialistas negros e negras, o evento foi palco de troca de experiências e de reflexões da potência da diversidade racial e da ancestralidade.
Aos 86 anos e com uma vitalidade invejável, o ator e cineasta Antônio Pitanga emocionou o público com um monólogo sobre a importância das narrativas negras e da ancestralidade.
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Na sequência, Pitanga participou de uma conversa onde falou sobre “Malês” — filme que marcou seu retorno à direção após 46 anos e que chega aos cinemas de todo o país em 2 de outubro. O longa conta a história da Revolta dos Malês, levante negro ocorrido na Salvador de 1835 contra o regime escravocrata.
Para o diretor, o filme também mostra a riqueza da cultura negra. “A população negra carrega milenarmente uma cultura rica. Malês é isso. É o levante no cinema”, afirmou Pitanga.
O ator, escritor e cineasta Lázaro Ramos, que colaborou com a produção associada de Malês, destacou que Pitanga levou quase 30 anos para conseguir levar a história da revolta soteropolitana aos cinemas.
“Foi uma batalha de 29 anos para trazer esse filme importantíssimo, por isso a gente tem o compromisso de encher os cinemas na primeira semana”, pontuou.
A música negra mora no afeto
O cantor Jota.pê, considerado uma das revelações da música negra nos últimos anos e vencedor do Grammy Latino em 2024, recordou como o ambiente familiar influenciou sua paixão pela música durante um bate-papo sobre as raízes negras na cultura brasileira.
“Minha família é muito musical. Meu avô tocava chorinho e minhas primeiras memórias são de ver o afeto da família tocando e cantando. Esse lugar de negritude na música está neste lugar de afeto pra mim”, compartilhou.
O artista ainda revelou uma de suas grandes inspirações: “Talvez eu não seria músico se não tivesse ouvido ‘Samurai’, do Djavan, no carro”. E falou sobre a potência dos encontros que a música proporciona.
“O que mais me move na música e na vida são os encontros. Todas as relações maravilhosas que eu tive foram a música que me trouxe. Essa música que só nós [negros] sabemos fazer”, afirmou Jota.pê.

‘Diversidade é abrir espaço para as pessoas ocuparem espaços que já são delas’
Com mais de 50% do line-up de 2025 formado por artistas negros e negras, o The Town mostrou estar atento à relevância da música negra no Brasil.. O analista de Recursos Humanos da Rock World, Álvaro Oliveira, destacou que o Palco Quebrada “nasceu do entendimento da importância de falar da cultura periférica e de provocar conversas sobre isso”.
“A diversidade é abrir espaço para que as pessoas ocupem espaços que já são delas. O lugar que eu tenho construído diz respeito à minha trajetória e sobre o legado que eu quero deixar. Eu quero ser uma pessoa que abre portas para pessoas semelhantes a mim”, completou o representante da companhia que organiza o The Town, em São Paulo, e o Rock in Rio, no Rio de Janeiro.
A gerente criativa e multimídia da Alma Preta, Carol Moreno, também comentou sobre esta edição do The Town. Em parceria com o projeto Pluralidade, da Rock World, e com Negritudes Globo, a agência de jornalismo realizou entrevistas com artistas durante os cinco dias de shows.
“Foi uma troca incrível. A gente aprendeu muito e acho que isso transparece nos conteúdos que produzimos, na conexão que conseguimos com todos os artistas. Eu espero que a gente alcance e seja visto cada vez mais nas telas porque somos diversos entre a gente também. Precisamos naturalizar a presença negra e indígena e ocupar esses lugares, porque somos a maioria da população brasileira”.

O Festival Negritudes foi realizado pela Globo em parceria com o Sesc São Paulo e com patrocínio da Natura.

