PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Fortaleza realiza ciclo de debates sobre saberes de mulheres quilombolas

Programação gratuita "Guardiãs das Encantarias" reúne mestras de comunidades tradicionais nos dias 14 e 21 de março para rodas de conversa sobre práticas de cuidado, espiritualidade e memórias
Duas mulheres caminham por um corredor branco e iluminado, ladeado por pilares e bandeiras coloridas que nomeiam comunidades quilombolas como Quincas, Timbaúba e Porteira.

Duas mulheres caminham por um corredor branco e iluminado, ladeado por pilares e bandeiras coloridas que nomeiam comunidades quilombolas como Quincas, Timbaúba e Porteira.

— Nayra Maria/Ascom Dragão do Mar

14 de março de 2026

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) gerido em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM), realiza nos dias 14 e 21 de março a segunda edição do programa “Guardiãs das Encantarias”. 

A programação coloca em evidência os saberes preservados por mulheres quilombolas e convida o público a se aproximar de histórias, práticas espirituais e modos de vida presentes em comunidades tradicionais do estado.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Organizado pelo Museu da Cultura Cearense (MCC), o ciclo de debates parte da exposição “Quilombolas – Tecendo Territórios de Liberdade”, em cartaz no equipamento com curadoria de Cícera Barbosa e Joseli Cordeiro. 

As atividades ocorrem na Praça Verde, sempre às 16h, com entrada gratuita e acessibilidade em Libras.

A primeira roda de conversa acontece neste sábado (14) com o tema “Mãos que Tecem, Ervas que Curam: Saberes da Encantaria”. Participam Mestra Sandra, quilombola da comunidade Conceição dos Caetanos (Tururu), guardiã dos saberes das plantas medicinais, e Mestra Tica, artesã do Quilombo de Alto Alegre (Horizonte), que mantém viva a tradição das bonecas de pano como expressão da identidade negra. A mediação será da historiadora e pesquisadora quilombola Joseli Cordeiro.

O diálogo parte da provocação simbólica “o que cabe no abraço de uma boneca e no gargalo de uma garrafa?” para abordar práticas de cuidado, espiritualidade e transmissão de saberes nas comunidades quilombolas do Ceará.

A data do primeiro encontro também marca o aniversário da escritora Carolina Maria de Jesus, autora de “Quarto de Despejo”, cuja trajetória inspira a luta das mulheres negras e quilombolas e reforça a potência das vozes femininas na resistência às desigualdades sociais e raciais.

Memórias das serras e sertões

No sábado seguinte (21), em alusão ao Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial e ao Dia Nacional das Tradições de Raízes de Matriz Africana, ocorre a segunda roda de conversa do ciclo, intitulada “No balanço das encantarias quilombolas”. 

Participam as Mestras da Cultura Maria de Tiê e Socorro, com mediação de Amadeusa Batista, pesquisadora do Núcleo Educativo do Museu da Cultura Cearense e integrante do Quilombo do Cumbe.

O debate propõe um mergulho nas memórias que fortalecem a identidade quilombola nas serras e nos sertões do Ceará, preservando as práticas culturais e espirituais que integram a vida coletiva do quilombo.

Mestra Maria de Tiê, quilombola da Comunidade dos Souza, em Porteiras, é referência na preservação da dança do coco e do maneiro-pau no Cariri cearense. 

Suas toadas e cantos celebram a história e os saberes transmitidos por seu pai, o mestre Luiz Manoel de Souza, importante liderança cultural da região. 

Mestra Socorro, tesouro vivo e quilombola da Serra do Evaristo, em Baturité, é guia da tradicional Dança de São Gonçalo e reconhecida liderança cultural e religiosa em sua comunidade. 

Há décadas se dedica à preservação das práticas culturais e espirituais que integram a vida coletiva do quilombo.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano