O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) gerido em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM), realiza nos dias 14 e 21 de março a segunda edição do programa “Guardiãs das Encantarias”.
A programação coloca em evidência os saberes preservados por mulheres quilombolas e convida o público a se aproximar de histórias, práticas espirituais e modos de vida presentes em comunidades tradicionais do estado.
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Organizado pelo Museu da Cultura Cearense (MCC), o ciclo de debates parte da exposição “Quilombolas – Tecendo Territórios de Liberdade”, em cartaz no equipamento com curadoria de Cícera Barbosa e Joseli Cordeiro.
As atividades ocorrem na Praça Verde, sempre às 16h, com entrada gratuita e acessibilidade em Libras.
A primeira roda de conversa acontece neste sábado (14) com o tema “Mãos que Tecem, Ervas que Curam: Saberes da Encantaria”. Participam Mestra Sandra, quilombola da comunidade Conceição dos Caetanos (Tururu), guardiã dos saberes das plantas medicinais, e Mestra Tica, artesã do Quilombo de Alto Alegre (Horizonte), que mantém viva a tradição das bonecas de pano como expressão da identidade negra. A mediação será da historiadora e pesquisadora quilombola Joseli Cordeiro.
O diálogo parte da provocação simbólica “o que cabe no abraço de uma boneca e no gargalo de uma garrafa?” para abordar práticas de cuidado, espiritualidade e transmissão de saberes nas comunidades quilombolas do Ceará.
A data do primeiro encontro também marca o aniversário da escritora Carolina Maria de Jesus, autora de “Quarto de Despejo”, cuja trajetória inspira a luta das mulheres negras e quilombolas e reforça a potência das vozes femininas na resistência às desigualdades sociais e raciais.
Memórias das serras e sertões
No sábado seguinte (21), em alusão ao Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial e ao Dia Nacional das Tradições de Raízes de Matriz Africana, ocorre a segunda roda de conversa do ciclo, intitulada “No balanço das encantarias quilombolas”.
Participam as Mestras da Cultura Maria de Tiê e Socorro, com mediação de Amadeusa Batista, pesquisadora do Núcleo Educativo do Museu da Cultura Cearense e integrante do Quilombo do Cumbe.
O debate propõe um mergulho nas memórias que fortalecem a identidade quilombola nas serras e nos sertões do Ceará, preservando as práticas culturais e espirituais que integram a vida coletiva do quilombo.
Mestra Maria de Tiê, quilombola da Comunidade dos Souza, em Porteiras, é referência na preservação da dança do coco e do maneiro-pau no Cariri cearense.
Suas toadas e cantos celebram a história e os saberes transmitidos por seu pai, o mestre Luiz Manoel de Souza, importante liderança cultural da região.
Mestra Socorro, tesouro vivo e quilombola da Serra do Evaristo, em Baturité, é guia da tradicional Dança de São Gonçalo e reconhecida liderança cultural e religiosa em sua comunidade.
Há décadas se dedica à preservação das práticas culturais e espirituais que integram a vida coletiva do quilombo.