Mais de 600 obras de arte afro-brasileira retornaram ao Brasil em janeiro e passaram a integrar o acervo do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador. O conjunto veio por meio da doação do acervo Con/Vida, coleção organizada pelas norte-americanas Bárbara Cervenka, artista plástica, e Marion Jackson, historiadora da arte.
A coleção é composta por pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, arte sacra, gravuras, estampas e outras tipologias. As obras abrangem diferentes gerações, territórios e linguagens artísticas, com foco em narrativas, técnicas e expressões da produção afro-brasileira.
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Entre os artistas presentes no acervo estão J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia, Manoel Bonfim, entre outros nomes da arte afro-brasileira.
A coleção foi formada ao longo de décadas por Cervenka e Jackson, com foco na preservação e difusão de expressões artísticas afro-brasileiras fora do circuito institucional brasileiro. A decisão pela doação partiu do entendimento de que o conjunto deveria retornar de forma permanente ao país de origem.
Governo federal destaca importância do retorno
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a devolução das obras representa um avanço para o patrimônio cultural do país e para o fortalecimento da identidade nacional.
“O retorno dessas obras ao Brasil é algo fundamental para o enriquecimento do acervo e patrimônio artístico brasileiro, mas, principalmente, é de grande importância para o fortalecimento da nossa identidade e reconhecimento enquanto povo”, declarou durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (26).
A ministra também ressaltou o papel do Estado na condução do processo e na articulação entre órgãos públicos para garantir a legalidade e a integridade do acervo. Segundo ela, o retorno de bens culturais envolve aspectos legais, técnicos, logísticos e diplomáticos.
A diretora do MUNCAB, Jamile Coelho, classificou a incorporação do acervo como um marco para a instituição e para a memória cultural do país.
“Trata-se de uma devolução de profundo valor simbólico e histórico. Essa coleção deixou o Brasil legalmente e retorna por decisão consciente das colecionadoras, que reconheceram a importância de seu retorno à origem. Este acervo fortalece a missão do museu de contar a história do Brasil a partir de perspectivas democráticas, inclusivas e plurais”, afirmou.
O acervo passa a integrar de forma permanente o patrimônio do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, localizado em Salvador. O MUNCAB funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, com entrada do público até 16h30.