PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

MPF quer reconhecimento da língua Pajubá como patrimônio imaterial brasileiro

Ministério Público Federal pede que o Iphan analise o reconhecimento do Pajubá como expressão cultural de identidade e resistência LGBTQIA+
Uma pessoa segura uma bandeira da comunidade LGBTQIAPN+.

Uma pessoa segura uma bandeira da comunidade LGBTQIAPN+.

— Patricia De Melo Moreira/AFP

16 de novembro de 2025

O Ministério Público Federal (MPF) oficiou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a análise da viabilidade de reconhecimento da linguagem Pajubá como patrimônio imaterial brasileiro. 

Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), que apresentou a representação ao órgão, o Pajubá constitui uma tecnologia linguística e forma de expressão cultural coletiva. O dialeto social, segundo a entidade, é uma ferramenta de comunicação, identificação e resistência, com papel relevante na construção de subjetividades e redes de apoio entre a comunidade LGBTQIA+. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O documento destaca que o vocabulário do Pajubá possui raízes africanas, derivadas principalmente de termos de origem iorubá e nagô, incorporados à linguagem popular brasileira ao longo do século XX.

“Essas expressões foram apropriadas e reinventadas por comunidades urbanas, adquirindo força pública especialmente durante o período da ditadura militar e nas décadas seguintes, até a contemporaneidade”, diz o MPF, em nota à imprensa.

O ofício destaca que o dialeto conta com vasto registro em pesquisas acadêmicas, dicionários, inventários lexicais e obras literárias, que analisam, difundem e preservam o uso da linguagem.

Para o procurador da República Sérgio Gardenghi Suiama, que coordena o Grupo de Trabalho Patrimônio Histórico e Cultural da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR), o Pajubá é um elemento de identidade e resistência social, e seu reconhecimento contribui para valorizar a diversidade linguística do país e as práticas culturais historicamente marginalizadas.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano