O Ministério Público Federal (MPF) oficiou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a análise da viabilidade de reconhecimento da linguagem Pajubá como patrimônio imaterial brasileiro.
Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), que apresentou a representação ao órgão, o Pajubá constitui uma tecnologia linguística e forma de expressão cultural coletiva. O dialeto social, segundo a entidade, é uma ferramenta de comunicação, identificação e resistência, com papel relevante na construção de subjetividades e redes de apoio entre a comunidade LGBTQIA+.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O documento destaca que o vocabulário do Pajubá possui raízes africanas, derivadas principalmente de termos de origem iorubá e nagô, incorporados à linguagem popular brasileira ao longo do século XX.
“Essas expressões foram apropriadas e reinventadas por comunidades urbanas, adquirindo força pública especialmente durante o período da ditadura militar e nas décadas seguintes, até a contemporaneidade”, diz o MPF, em nota à imprensa.
O ofício destaca que o dialeto conta com vasto registro em pesquisas acadêmicas, dicionários, inventários lexicais e obras literárias, que analisam, difundem e preservam o uso da linguagem.
Para o procurador da República Sérgio Gardenghi Suiama, que coordena o Grupo de Trabalho Patrimônio Histórico e Cultural da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR), o Pajubá é um elemento de identidade e resistência social, e seu reconhecimento contribui para valorizar a diversidade linguística do país e as práticas culturais historicamente marginalizadas.