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 ‘OKAN’, espetáculo que evoca memória diaspóricas, ocupa territórios em São Paulo

Com dança e teatro, montagem tem apresentações de julho a agosto na zona leste e no centro da capital paulista
Atriz durante apresentação do espetáculo "OKAN".

Atriz durante apresentação do espetáculo "OKAN".

— Divulgação/Grupo Xingó

10 de junho de 2025

 Fruto de seis anos de pesquisa, o espetáculo OKAN inicia tem apresentações em três espaços culturais de São Paulo, entre junho e agosto. Combinando dança, teatro e brinquedo popular, a montagem traz ao centro da cena memórias de resistência e deslocamento evocadas por seis mulheres, em dramaturgia construída a partir de relatos de lideranças comunitárias, ex-presas políticas e fundadoras de movimentos sociais.

A circulação é parte do projeto “OKAN em afluências não binárias – LAROYE EXU”, contemplado pela 37ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo. A proposta prevê uma ocupação artística em três territórios culturais da capital, com exibições do filme “BOIÁ” seguidas das apresentações do espetáculo.

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O enredo do espetáculo parte de uma premissa ficcional — a perseguição de três mulheres foragidas conhecidas como Boneca, Caveira e Viola — que compõem um mosaico poético e político entrelaçado a fragmentos de fala, danças e música. Em fluxo contínuo entre corpo e palavra, o espetáculo combina ritmos populares, narrativa fragmentada e elementos de rito.

Com trilha musicada ao vivo pelas intérpretes, OKAN integra sons, texturas e símbolos: couro, chapéus, caveira, varais de fotos e esqueleto. A figura de Exu emerge como presença simbólica e poética — entre o silêncio e o riso. “Pra onde a gente vai agora?”, pergunta uma das intérpretes ao final, antes de convidar o público para a dança.

O grupo é composto exclusivamente por mulheres e dissidências de gênero, que encenam movimentações coletivas, falas sussurradas e jogos que interagem no palco com estruturas cênicas móveis. A obra propõe uma experiência sensorial e política, onde cada detalhe reforça sua dimensão ancestral: os figurinos em couro foram produzidos por Mestre Romualdo, em Arcoverde (PE); as camisetas utilizadas pertencem à coleção da historiadora Astrogilda Pereira; e a rede de linho foi bordada à mão pela bisavó de uma das intérpretes.

As entrevistas que deram origem à dramaturgia — com 17 mulheres mais velhas — também geraram vídeos publicados no Canal Heréticas. Criado em 2007, o Grupo Xingó desenvolve trabalhos nas interseções entre teatro, dança e formas de expressão populares. Com mais de dez prêmios recebidos — entre eles Fomento à Dança, ProAC, Aldir Blanc e Maria Alice Vergueiro —, o coletivo já circulou por aldeias, ocupações, assentamentos e periferias, mobilizando práticas artísticas como gesto político e coletivo.

Serviço

Temporada 1 – Teatro das Pretas – Centro Cultural Adebankê

Rua Durandé, 175, Artur Alvim – São Paulo/SP

12, 13, 15, 19, 20, 21 e 22 de junho de 2025

Quinta a sábado, às 20h | Domingo, às 19h | Sessão extra 15/06, às 15h

Acessível em Libras nos dias 20 e 21/06

Temporada 2 – Teatro Arthur Azevedo (Estacionamento)

Av. Paes de Barros, 955, Alto da Mooca – São Paulo/SP

30, 31 de julho; 01, 02 e 03 de agosto de 2025

Quarta a domingo, às 20h

Acessível em Libras nos dias 01 e 02/08

Temporada 3 – Centro Cultural São Paulo (Porão)

Rua Vergueiro, 1000, Liberdade – São Paulo/SP

07 a 10 de agosto de 2025

Quinta a sábado, às 20h | Domingo, às 19h

Acessível em Libras nos dias 08 e 09/08

Classificação indicativa: 12 anos

Entrada gratuita (retirada de ingressos pelo Sympla)

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