Fruto de seis anos de pesquisa, o espetáculo OKAN inicia tem apresentações em três espaços culturais de São Paulo, entre junho e agosto. Combinando dança, teatro e brinquedo popular, a montagem traz ao centro da cena memórias de resistência e deslocamento evocadas por seis mulheres, em dramaturgia construída a partir de relatos de lideranças comunitárias, ex-presas políticas e fundadoras de movimentos sociais.
A circulação é parte do projeto “OKAN em afluências não binárias – LAROYE EXU”, contemplado pela 37ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo. A proposta prevê uma ocupação artística em três territórios culturais da capital, com exibições do filme “BOIÁ” seguidas das apresentações do espetáculo.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O enredo do espetáculo parte de uma premissa ficcional — a perseguição de três mulheres foragidas conhecidas como Boneca, Caveira e Viola — que compõem um mosaico poético e político entrelaçado a fragmentos de fala, danças e música. Em fluxo contínuo entre corpo e palavra, o espetáculo combina ritmos populares, narrativa fragmentada e elementos de rito.
Com trilha musicada ao vivo pelas intérpretes, OKAN integra sons, texturas e símbolos: couro, chapéus, caveira, varais de fotos e esqueleto. A figura de Exu emerge como presença simbólica e poética — entre o silêncio e o riso. “Pra onde a gente vai agora?”, pergunta uma das intérpretes ao final, antes de convidar o público para a dança.
O grupo é composto exclusivamente por mulheres e dissidências de gênero, que encenam movimentações coletivas, falas sussurradas e jogos que interagem no palco com estruturas cênicas móveis. A obra propõe uma experiência sensorial e política, onde cada detalhe reforça sua dimensão ancestral: os figurinos em couro foram produzidos por Mestre Romualdo, em Arcoverde (PE); as camisetas utilizadas pertencem à coleção da historiadora Astrogilda Pereira; e a rede de linho foi bordada à mão pela bisavó de uma das intérpretes.
As entrevistas que deram origem à dramaturgia — com 17 mulheres mais velhas — também geraram vídeos publicados no Canal Heréticas. Criado em 2007, o Grupo Xingó desenvolve trabalhos nas interseções entre teatro, dança e formas de expressão populares. Com mais de dez prêmios recebidos — entre eles Fomento à Dança, ProAC, Aldir Blanc e Maria Alice Vergueiro —, o coletivo já circulou por aldeias, ocupações, assentamentos e periferias, mobilizando práticas artísticas como gesto político e coletivo.
Serviço
Temporada 1 – Teatro das Pretas – Centro Cultural Adebankê
Rua Durandé, 175, Artur Alvim – São Paulo/SP
12, 13, 15, 19, 20, 21 e 22 de junho de 2025
Quinta a sábado, às 20h | Domingo, às 19h | Sessão extra 15/06, às 15h
Acessível em Libras nos dias 20 e 21/06
Temporada 2 – Teatro Arthur Azevedo (Estacionamento)
Av. Paes de Barros, 955, Alto da Mooca – São Paulo/SP
30, 31 de julho; 01, 02 e 03 de agosto de 2025
Quarta a domingo, às 20h
Acessível em Libras nos dias 01 e 02/08
Temporada 3 – Centro Cultural São Paulo (Porão)
Rua Vergueiro, 1000, Liberdade – São Paulo/SP
07 a 10 de agosto de 2025
Quinta a sábado, às 20h | Domingo, às 19h
Acessível em Libras nos dias 08 e 09/08
Classificação indicativa: 12 anos
Entrada gratuita (retirada de ingressos pelo Sympla)