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Do chão da Portela ao pódio de Hollywood: Paulinho da Costa vira o 1º brasileiro na Calçada da Fama

Percussionista nascido em Irajá, zona norte do Rio, participou de milhares de gravações históricas e ajudou a construir hits de Michael Jackson, Madonna e Lionel Richie
O percussionista brasileiro Paulinho da Costa faz um sinal de positivo enquanto posa em sua estrela durante a cerimônia de sua homenagem na Calçada da Fama em Hollywood, Califórnia, em 13 de maio de 2026.

O percussionista brasileiro Paulinho da Costa faz um sinal de positivo enquanto posa em sua estrela durante a cerimônia de sua homenagem na Calçada da Fama em Hollywood, Califórnia, em 13 de maio de 2026.

— Frederic J. Brown/AFP

14 de maio de 2026

O nome de Paulinho da Costa talvez não apareça imediatamente na memória do grande público. O som criado por ele, porém, atravessa décadas da música pop internacional, trilhas de cinema e alguns dos discos mais conhecidos da indústria fonográfica.

Nesta quarta-feira (13), aos 77 anos, o músico carioca entrou para a história como o primeiro artista nascido no Brasil a receber uma estrela na Hollywood Walk of Fame, a Calçada da Fama de Hollywood.

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O reconhecimento transforma em símbolo público uma trajetória construída entre rodas de samba, estúdios de gravação e bastidores da música mundial. Antes dele, apenas Carmen Miranda havia recebido a homenagem entre artistas ligados ao Brasil, mas a cantora nasceu em Portugal.

A estrela dedicada a Paulinho ficará localizada na Vine Street, em Hollywood. A cerimônia terá transmissão ao vivo no site oficial da organização.

Paulinho da Costa se tornou uma espécie de presença invisível da música pop. O público pode não reconhecer seu rosto, mas já ouviu sua percussão milhares de vezes.

Segundo dados divulgados pela própria Hollywood Walk of Fame, o percussionista participou de mais de 2,5 mil álbuns e cerca de 6 mil músicas. Os números colocam o brasileiro entre os músicos mais gravados da história da indústria fonográfica.

Sua trajetória atravessa diferentes gerações e estilos musicais. Ao longo da carreira, Paulinho trabalhou com Michael Jackson, Madonna, Quincy Jones, Lionel Richie, Stevie Wonder, Frank Sinatra, Sting, Mariah Carey, Whitney Houston, Miles Davis e Earth, Wind & Fire.

Entre os sons que ajudou a construir, apenas clássicos absolutos como “Billie Jean“, “Beat It”, “Wanna Be Startin’ Somethin'”, “Thriller”, “We Are the World”, “La Isla Bonita”, “All Night Long” e “I Will Survive“.

Seu trabalho ajudou a construir a identidade sonora de sucessos que atravessaram gerações da história da música.

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Dos tambores da Portela aos estúdios de Los Angeles

Nascido em Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, Paulinho cresceu em ambiente ligado ao samba e à percussão. Ainda jovem, passou pela bateria da Portela, uma das escolas mais tradicionais do carnaval carioca. O contato com os ritmos das escolas de samba definiu a base musical.

Nos anos 1970, o músico se mudou para os Estados Unidos e começou a trabalhar com o músico brasileiro e vencedor de Grammys Sérgio Mendes. A parceria abriu espaço para sua entrada definitiva no mercado fonográfico norte-americano. 

Durante sua passagem por festivais internacionais, o percussionista misturou samba, bossa nova, ritmos afro-brasileiros, jazz, funk e pop. Essa assinatura o tornou um dos músicos mais requisitados da indústria fonográfica americana. 

Hollywood também ouviu Paulinho

Além da música, Paulinho da Costa participou de trilhas sonoras de filmes que marcaram o cinema norte-americano. Seu nome aparece nos créditos de produções como Dirty Dancing, Footloose, Jurassic Park, Indiana Jones, Mission: Impossible, Transformers e A Cor Púrpura.

Ao longo da carreira, o músico também recebeu premiações da indústria fonográfica, entre elas o prêmio “Most Valuable Player”, concedido pela National Academy of Recording Arts and Sciences em três anos consecutivos.

Agora, a estrela na Calçada da Fama coloca o nome de Paulinho da Costa não apenas entre músicos consagrados de Hollywood, mas também entre os artistas brasileiros que ajudaram a moldar a música global sem necessariamente ocupar os holofotes.


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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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