O projeto Rota dos Quilombos percorreu, em julho, três comunidades quilombolas do estado de Sergipe, levando sessões gratuitas de cinema seguidas de rodas de conversa. Realizada pelo Cineclube Candeeiro, em parceria com a EGBÉ — Mostra de Cinema Negro, a iniciativa visitou as comunidades da Mussuca (Laranjeiras), Brejão dos Negros (Brejo Grande) e Aguada (Carmópolis), reunindo cerca de 50 pessoas em cada localidade.
O projeto promoveu o acesso ao cinema negro brasileiro, estimulou debates comunitários e fortaleceu as identidades quilombolas por meio da exibição de filmes realizados ou protagonizados por pessoas negras e indígenas. A ação foi orientada pelo pensamento da historiadora sergipana Maria Beatriz Nascimento, que defendia a imagem como ferramenta essencial para a reconstrução da identidade negra.
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A primeira parada aconteceu no quilombo Mussuca, o maior de Sergipe. A programação integrou o Arraiá Cultural Cozinha de Vó, que combinou cinema, culinária ancestral e celebração popular.
Em Brejão dos Negros, a sessão foi realizada em parceria com o Coletivo Dandaras e contou com a apresentação do grupo infantil Kekero Wá. O espetáculo, escrito por Claudeane Bispo e sua filha, abordou a vivência quilombola pela perspectiva das crianças, combinando religiosidade afro-brasileira, dança e teatro.
A última sessão aconteceu na comunidade de Aguada, na sede do centenário grupo Samba de Aboio. Moradores de diferentes gerações assistiram ao filme O ano que a onça descansou, produzido no próprio território.
Cinema para a infância: Mostrinha Vunji amplia o olhar das crianças negras
Cada comunidade recebeu duas sessões de cinema: uma voltada ao público adulto e outra dedicada às crianças, com a exibição da Mostrinha Vunji, curadoria da EGBÉ — Mostra de Cinema Negro. A programação infantil foi pensada para valorizar personagens e narrativas negras e indígenas desde a primeira infância.
Com o bom êxito das atividades, o Cineclube Candeeiro já articula novas edições do projeto para alcançar outros quilombos do estado. A proposta é seguir interiorizando o cinema negro nacional, com obras que dialoguem com as vivências, saberes e memórias das comunidades quilombolas.