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‘Sabores e Lembranças’: chefs africanos são reunidos em livro de receitas tradicionais

Livro “Sabores e Lembranças África”, do Instituto Adus, reúne receitas e relatos de chefes da diáspora africana; à Alma Preta, um dos chefs parte do projeto falou da proximidade da cozinha brasileira com pratos africanos
O prato Mbongo Tchubi, do camaronês Irene Yannick.

O prato Mbongo Tchubi, do camaronês Irene Yannick.

— Divulgação/Rafael Criscuolo

28 de janeiro de 2026

O Instituto Adus lança, nesta quarta-feira (28), a nova edição do livro “Sabores e Lembranças: África”, que reúne receitas tradicionais e relatos de pessoas refugiadas de diferentes países do continente africano, articulando comida, memória, identidade e pertencimento.

Idealizado pela entidade e realizado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto apresenta trajetórias marcadas pelo deslocamento forçado e pela reconstrução da vida no Brasil, tendo a gastronomia como eixo narrativo e político. 

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Para Luiz Henrique Amoêdo, gestor de comunicação do instituto, o projeto parte do princípio de que cozinhar também é um ato de memória.

“Em um contexto de deslocamento forçado, sobretudo com pessoas do continente africano, que representam a maior parte de nossos beneficiários, compartilhar um prato é reafirmar quem se é, de onde se vem e criar conexões com a sociedade de acolhimento, a partir do direito de existir com dignidade”, afirma o gestor em nota.

Em entrevista à Alma Preta, Irene Yannick, cozinheiro de Camarões que vive no Brasil há dez anos e integra o livro, conta que cozinhar é também uma forma de transmitir valores e modos de viver da sua cultura de origem.

Yannick destaca que, apesar de distantes, Camarões e Brasil compartilham muitas semelhanças em suas culturas alimentares, onde, muitas vezes, o mesmo ingrediente é preparado de diferentes maneiras. O feijão-fradinho utilizado na produção do acarajé brasileiro, lá, dá corpo ao Koki, um bolinho com dendê servido com bananas cozidas ou mandiocas.

“Tem alguns pratos que cozinham aqui, que parece que é a mesma coisa da África. Mas o jeito de cozinhar acaba sendo muito diferente, às vezes não tem nada a ver com o outro”, explica.  

O chef Irene Yannick. Divulgação/Rafael Criscuolo

O cozinheiro diz que uma das melhores partes do projeto foi apresentar a riqueza e a diversidade alimentar do território camaronês, que abriga mais de 200 grupos étnicos e 24 línguas. No livro, Irene ensina a receita de Mbongo Tchobi, um cozido de peixe servido com arroz branco, banana-da-terra frita ou mandioca cozida.

“Foi muito legal apresentar um prato, explicar o que é, como que faz, o que acontece. Aquele prato que está no projeto [Mbongo Tchobi], é o mais famoso do país, sabe? E Camarões tem muitos, são quase 300 pratos diferentes. Você pode viver lá um ano inteiro e não vai repetir a comida.”

Irene Yannick espera que o livro seja uma maneira de ampliar o conhecimento e o entendimento em relação aos países africanos e desmistificar a relação com os imigrantes. 

“O brasileiro deve se inspirar no africano. De você é negro, pode ser dos Estados Unidos, pode ser do Brasil, o descendente não vem de outro continente, se não for a África. Então, o negro brasileiro deveria valorizar negro africano, mas deveria também se aproximar bem perto para aprender as coisas que ele não sabe, o que não foi contado para eles”, conclui. 

SERVIÇO 

Lançamento do livro “Sabores e Lembranças África” 

Data: 28 de janeiro de 2026 (quarta-feira) 
Horário: a partir das 17h 
Local: Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo/SP 
Entrada gratuita

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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