O presidente Paul Biya, que governa Camarões há 43 anos, tomou posse nesta quinta-feira (6) para um oitavo mandato de sete anos, após uma eleição que provocou protestos e repressão em diversas regiões do país. A cerimônia de posse foi realizada no Parlamento, na capital Yaoundé.
Aos 92 anos, Biya é o chefe de Estado mais velho em exercício no mundo. Segundo os resultados oficiais, ele venceu as eleições de 12 de outubro com 53,7% dos votos, contra 35,2% de seu principal adversário, o ex-ministro Issa Tchiroma Bakary. Biya é o segundo líder a comandar o país desde a independência da França, em 1960.
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Durante a solenidade, que contou com a presença de autoridades e figuras políticas locais, o presidente prometeu continuar trabalhando para merecer a confiança do povo camarônes.
“Compreendo perfeitamente a gravidade da situação que o nosso país atravessa. Compreendo a quantidade e a severidade dos desafios que enfrentamos, bem como a profundidade das frustrações e a dimensão das expectativas”, declarou em seu discurso.
A União Europeia e a União Africana condenaram a violenta repressão das autoridades aos protestos, enquanto o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma investigação.
Eleição contestada e protestos
Após o anúncio da vitória de Biya, em 27 de outubro, foram registrados protestos em várias cidades. De acordo com relatos, as forças de segurança reprimiram as manifestações, resultando em várias mortes. O governo reconheceu, mas não informou o número de vítimas.
Nas redes sociais, Issa Tchiroma, um antigo aliado de Biya que se tornou opositor, afirmou ser o verdadeiro vencedor das eleições e convocou seus apoiadores a protestar contra os resultados, que foram mais acirrados do que o esperado.
Tchiroma despertou entusiasmo especialmente entre jovens eleitores que pedem mudanças políticas. Desde então, ele tem incentivado ações de desobediência civil, como o fechamento de lojas e a paralisação de atividades públicas.
A resposta à convocação foi desigual. Em cidades como Garoua e Douala, a adesão foi significativa,em Iaundé, porém, a maioria das lojas permaneceu aberta, as escolas funcionaram normalmente e os servidores públicos compareceram ao trabalho.
O governo anunciou que pretende iniciar um processo judicial contra o líder da oposição, denunciando seus “repetidos apelos à insurreição”.
A União Europeia e a União Africana condenaram a violenta repressão aos protestos. Já o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma investigação independente sobre os confrontos e as mortes ocorridas no país.
Com informações da Agence France-Presse (AFP)