O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta terça-feira (25) que não encontrou “um pedaço de pão decente” durante visita a Angola. A declaração ocorreu em uma padaria em Hamburgo, um dia após ele participar da cúpula entre União Europeia e União Africana em Luanda.
Merz esteve em Luanda na segunda-feira (24) após participar da Cúpula do G20 na África do Sul. A agenda africana incluiu reuniões sobre paz, segurança, governança, multilateralismo, financiamento climático e medidas para aliviar a dívida de países em desenvolvimento.
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Durante a visita à padaria em Hamburgo, Merz afirmou que só percebe o quanto valoriza o pão alemão quando está no exterior e citou o café da manhã oferecido no hotel angolano, onde, segundo ele, não encontrou “um pedaço de pão decente”.
A observação circulou entre veículos europeus e africanos e foi interpretada como desrespeitosa por críticos, especialmente diante de um evento diplomático destinado a aprofundar relações entre os dois continentes.
Autoridades brasileiras já haviam criticado declarações anteriores
Esta é a segunda declaração do líder conservador alemão sobre países do Sul Global em uma semana. No dia 17 de novembro, Merz afirmou que jornalistas que o acompanharam na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), não quiseram permanecer na cidade e ficaram “satisfeitos” com o retorno à Alemanha. As falas motivaram reações de autoridades brasileiras.
O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), classificou as declarações anteriores de Merz como “arrogantes e preconceituosas”. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), questionou: “Curioso ver quem ajudou a aquecer o planeta estranhar o calor da Amazônia”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu as observações sobre Belém e afirmou que Merz “devia ter ido num boteco no Pará, deveria ter dançado no Pará, deveria ter provado a culinária do Pará”. Lula disse que Berlim “não oferece 10% da qualidade que oferece o estado do Pará”.
Merz se reuniu com Lula durante o G20 na África do Sul e afirmou que não teve intenção de ofender os brasileiros, mas não apresentou pedido formal de desculpas.