A abertura da Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30, foi marcada por um ato de resistência e solidariedade entre diferentes movimentos globais. A Flotilha “Barcos pela Justiça Climática”, realizada ontem (12) na Baía do Guajará, reuniu cerca de 5 mil pessoas de 60 países, em uma demonstração de unidade entre lutas ambientais, sociais e políticas.
Em um dos momentos mais emblemáticos da mobilização, Salma Barakat, coordenadora da Coalizão Palestina na COP30, fez um pronunciamento contundente que conectou a causa palestina à agenda climática global.
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“Não existe justiça climática sem a liberdade do povo palestino e de todos os povos do mundo”, afirmou Barakat, sendo aplaudida por centenas de participantes que acompanhavam o ato nas margens do rio.
A ativista destacou as semelhanças entre os processos de colonização enfrentados pelos palestinos e pelos povos indígenas brasileiros.
“Nós, palestinos, assim como os indígenas no Brasil, sofremos um processo de colonização e expulsão de nossas terras. Nossas lutas estão conectadas e eu me sinto muito honrada de estar aqui, conectando com as lutas dos povos originários desse país”, declarou.
Barakat também denunciou o papel de Israel nas violações de direitos humanos e ambientais e defendeu boicotes e sanções internacionais.
“Estamos aqui para demandar que Israel seja excluído da COP e de todas as instâncias da ONU até que respeite o direito internacional e termine com o apartheid, o colonialismo e a ocupação contra o povo palestino”, afirmou.
O discurso ocorre em meio à decisão do governo de Israel de não enviar uma delegação oficial completa à COP30, anunciada no último dia 6 de novembro.
Segundo o Ministério da Proteção Ambiental israelense, a medida se deve ao “desvio de recursos resultante da guerra em curso” contra o grupo Hamas, na Faixa de Gaza, e à “campanha diplomática” que o país vem conduzindo no cenário internacional. Apenas dois funcionários do ministério participarão da conferência, de forma alternada.