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Brasil e Angola ampliam parceria cultural e acesso a documentos sobre escravidão

Fundação Biblioteca Nacional disponibilizará 108 manuscritos antigos sobre relações entre os dois países nos séculos XVII e XX; parceria prevê intercâmbio de artistas, pesquisadores e políticas culturais
Registro da assinatura de instrumento de cooperação com o ministro de Angola (à esquerda). Na direita, João Jorge, presidente da Palmares; no centro, a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Registro da assinatura de instrumento de cooperação com o ministro de Angola (à esquerda). Na direita, João Jorge, presidente da Palmares; no centro, a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

— Giba/ MinC

4 de abril de 2026

O Brasil e a Angola assinaram acordos para fortalecer a cooperação entre os dois países. A cerimônia ocorreu no dia 31 de março na Fundação Cultural Palmares (FCP), em Brasília. A iniciativa foi coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC) e reuniu autoridades brasileiras e angolanas.

A cerimônia integrou a missão oficial do ministro da Cultura de Angola ao Brasil e resultou na assinatura de três instrumentos: um acordo entre a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e o Arquivo Nacional de Angola, um memorando de entendimento na área cultural e uma declaração conjunta entre os governos.

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Os documentos estabelecem bases para cooperação em áreas como artes, patrimônio, pesquisa e circulação de produções culturais.

O memorando de entendimento cria diretrizes para ações conjuntas entre Brasil e Angola. O instrumento prevê intercâmbio de artistas, pesquisadores e estudantes, além da participação em eventos e da difusão de obras culturais entre os dois países.

A parceria inclui iniciativas voltadas à formação profissional, à produção cultural e ao desenvolvimento de projetos nas áreas artística, acadêmica e científica. Também contempla ações relacionadas à economia criativa, direitos autorais e regulação no ambiente digital.

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O acordo tem vigência inicial de cinco anos e não prevê transferência direta de recursos. O objetivo é estruturar uma agenda de cooperação contínua.

A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, afirmou em nota da pasta da Cultura que os acordos buscam transformar compromissos em ações concretas. 

Segundo ela, a cooperação cultural fortalece a relação entre os países e amplia o intercâmbio entre as populações.

O ministro da Cultura de Angola, Filipe Silvino de Pina Zau, destacou que a parceria se baseia em uma história comum e defendeu o aprofundamento das relações culturais, com atenção ao tema da reparação histórica.

Acesso a documentos históricos

No campo da memória, o acordo entre a Fundação Biblioteca Nacional e o Arquivo Nacional de Angola prevê a disponibilização de 108 manuscritos antigos ao público. O material integra o Projeto Resgate Barão do Rio Branco.

Os documentos reúnem registros sobre a relação entre Brasil e Angola entre os séculos XVII e XX. O acervo inclui informações sobre o tráfico de pessoas escravizadas, atividades comerciais e aspectos da formação histórica dos dois países.

A iniciativa amplia o acesso a fontes documentais que, até então, exigiam consulta presencial. O conteúdo será disponibilizado em formato digital no site do projeto.

O material foi organizado por pesquisadores vinculados ao Projeto Acervo Digital Angola-Brasil (PADAB) e segue em atualização.

Representantes da Fundação Biblioteca Nacional destacaram que a divulgação do acervo permite ampliar o conhecimento sobre a história comum entre os países e reforça o papel da memória na formulação de políticas culturais.


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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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