O governo federal instalou oficialmente o Grupo de Trabalho Técnico (GTT) do Complexo da Maré, na cidade do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), em cerimônia no auditório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta terça-feira (27). A iniciativa busca consolidar um esforço interministerial para promover direitos e reduzir desigualdades em um dos maiores conjuntos de favelas do Brasil.
Boulos afirmou que a ação representa uma mudança de postura do Estado. “Essa é a diferença de a gente ter um governo que faz com que os seus ministros não fiquem fechados num gabinete com ar-condicionado, mas venham aqui pro Rio de Janeiro”, disse o ministro. Ele destacou que o propósito é “pisar no barro, conversar com o povo, conhecer de perto a realidade para levar isso para Brasília”.
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A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que nasceu e foi criada no Complexo da Maré, reforçou o significado simbólico da medida. “Eu sou criada e nascida no Complexo da Maré, com muito orgulho”, afirmou durante a cerimônia. “A gente, sempre que pode, retorna a esse lugar que dá o que a gente tem de melhor: o caráter, os valores, o aprendizado, a coletividade.”
O presidente em exercício da Fiocruz, Valcler Rangel, ressaltou o papel da fundação no território e defendeu uma abordagem intersetorial. “Importante a gente ter essa intersetorialidade, de tal modo que a gente possa fazer com que esse país cresça com sustentabilidade”, disse Rangel, que classificou a Maré como um “território de potência“.
Função e composição do Grupo de Trabalho Técnico
A criação do GTT é resultado de um processo de escuta qualificada iniciado em 2023, a partir de demandas urgentes apresentadas pela articulação Redes da Maré e pelas 16 associações de moradores da região. O grupo terá a função de articular e monitorar os compromissos assumidos por diversos órgãos federais, além de identificar prioridades por meio de diagnósticos participativos.
Segundo a Secretaria-Geral, o foco central das demandas da comunidade são os impactos sociais das operações policiais e a necessidade de uma presença mais efetiva do Estado por meio de políticas sociais, educacionais, culturais e de infraestrutura.
A coordenação do GTT fica a cargo da Secretaria Nacional de Participação Social. Participam do grupo representantes de ministérios como Casa Civil, Cidades, Saúde, Educação e Justiça e Segurança Pública, além de instituições de ensino como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ).