O Ministério das Mulheres lançou no dia 8 de julho o Prêmio Mulheres no Hip-Hop, edital que destinará R$ 3 milhões para reconhecer e valorizar a atuação de mulheres no hip-hop. O anúncio foi feito durante a IV Reunião do Fórum Nacional para a Elaboração de Políticas Públicas para as Mulheres do Movimento Hip-Hop.
Ao todo, serão contempladas 65 iniciativas, sendo 20 prêmios individuais, no valor de R$ 26.250 mil cada, e 45 prêmios destinados a grupos, coletivos e crews (sem constituição jurídica) e instituições privadas sem fins lucrativos, no valor de R$ 55 mil cada. As inscrições vão até 20 de julho.
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“As mulheres do Hip-Hop constroem há décadas uma cultura de resistência, criatividade e afirmação de direitos. Com este prêmio, o Ministério das Mulheres reconhece essa trajetória, valoriza essas vozes e reafirma nosso compromisso com políticas públicas que enfrentam a misoginia, promovam a igualdade e fortaleçam os territórios culturais onde as mulheres estão. O Hip-Hop é política, é cuidado, é arte que transforma, e as mulheres estão no centro dessa transformação”, destacou a ministra Márcia Lopes em comunicado à imprensa.
A premiação valoriza iniciativas culturais protagonizadas por mulheres que contribuíram para o desenvolvimento da cultura hip-hop nestes 40 anos da manifestação artística no Brasil. Podem se inscrever obras, atividades, produtos e ações como projetos de composição, arranjos, produção de beats, shows, vídeos, discos, arquivos audiovisuais, sítios de internet, revistas, batalhas, rodas culturais, cyphers, jams, espetáculos, slam, beatbox, graffiti, artes visuais, pesquisas, mapeamentos, fotografias, seminários, ciclos de debates, palestras, workshops, oficinas, cursos livres, festivais e fóruns.
As mulheres do hip-hop
As representantes do fórum comemoraram o lançamento do edital e ressaltaram a importância do movimento em cada comunidade e em cada região brasileira. “Esse edital é um marco histórico. Estou desde 1996 no Hip-Hop – são 27 anos de luta pela inserção das mulheres, contra a violência e pela nossa liberdade de expressão”, comemorou Flávia Souza, representante da Frente Nacional do Hip Hop no Rio de Janeiro e titular do fórum.
O fórum como espaço de trocas e construção de políticas eficazes foi ressaltado por Alene Sakura, da Construção Nacional do Movimento Hip Hop em Alagoas. “É entender a necessidade de se discutir políticas públicas dentro do movimento Hip Hop com foco nas mulheres. O movimento é político, educacional, artístico e cultural. Ele traz formação e, aqui dentro do ministério, estamos discutindo ideias reais”, reforçou.
Cida Ariporia, representante da Rede Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop no Amazonas, falou que o movimento alcança talentos em comunidades indígenas. “Esse dia é muito importante para nós, de visibilidade e de resistência. A cultura Hip-hop sempre esteve – e continua – dentro da periferia, principalmente das comunidades indígenas do Amazonas. Então a gente está aqui também representando e fortalecendo cada vez mais essa luta.”
Instituído em outubro de 2023, o Fórum Nacional para a Elaboração de Políticas Públicas para as Mulheres do Movimento Hip-Hop é coordenado pela Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política (Senatp), do Ministério das Mulheres, e tem caráter consultivo para a formulação de políticas públicas e campanhas pelo fim da discriminação contra a participação das mulheres no movimento Hip-Hop e pelo combate à misoginia.