PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Movimento por estado laico aciona MP contra lei de ‘intervalos bíblicos’ nas escolas de Porto Alegre

Entidade aponta inconstitucionalidade em lei sancionada em novembro, argumentando que a medida disfarça cultos religiosos dentro do ambiente escolar
O prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo (MDB).

O prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo (MDB).

— Gabriel Ribeiro/CMPA

17 de dezembro de 2025

A Associação Movimento Brasil Laico (MBL) protocolou, na terça-feira (16), uma representação junto ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS) solicitando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a Lei Municipal nº 14.375/2025. A legislação, sancionada em 25 de novembro pelo prefeito Sebastião Melo (MDB), autoriza a realização de “intervalos bíblicos” em escolas públicas e privadas de Porto Alegre.

A entidade argumenta que a lei fere gravemente a Constituição Federal ao promover, com aval estatal, práticas religiosas dentro de instituições de ensino. Segundo o documento, a medida viola a competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação (LDB), além de ferir os princípios da isonomia e da neutralidade do Estado.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O movimento sustenta que os chamados “intervalos bíblicos”, embora descritos na lei como iniciativas voluntárias dos estudantes para “reflexão e leitura“, funcionam na prática como “substitutivos semânticos para cultos religiosos”.

“Para configurar um culto, não é necessária a presença de líderes religiosos, mas sim coletividade, ritualidade e finalidade religiosa. Os intervalos preenchem todos esses requisitos”, destaca a representação.

A entidade alerta que o uso de pátios e salas de aula — bens públicos mantidos pelo contribuinte — para fins de proselitismo configura uma “subvenção indireta” a uma confissão religiosa específica, o que é vedado pelo artigo 19 da Constituição.

Ofensiva coordenada e risco à diversidade

O documento entregue ao MP contextualiza a lei de Porto Alegre como parte de uma onda nacional de legislações semelhantes, citando projetos análogos em cidades como Recife, Aracaju e Belo Horizonte. Para a Associação, trata-se de um projeto de poder ligado à “teologia do domínio”, visando o aparelhamento de instituições republicanas por segmentos fundamentalistas.

A representação enfatiza ainda o risco de discriminação e bullying religioso. “A prática pode levar à exclusão de alunos de outras religiões ou ateus (…) fragilizando a diversidade e o ambiente de pluralidade que as escolas devem promover”, afirma o texto.

O Movimento Brasil Laico questiona se religiões de matriz africana teriam a mesma facilidade e segurança para realizar seus ritos nos pátios escolares, apontando para uma quebra do princípio da isonomia.

A associação requer que o Ministério Público do Rio Grande do Sul ingresse com uma ADI, com pedido de tutela de urgência, para suspender os efeitos da lei municipal, garantindo a preservação do Estado Laico e a competência exclusiva da União para legislar sobre educação.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano