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Projeto de lei de combate ao racismo científico avança na Câmara

Projeto prevê criação de diretrizes educacionais e campanhas de conscientização sobre os impactos do racismo científico no Brasil
Sessão parlamentar no Plenário da Câmara, em 10 de dezembro de 2025.

Sessão parlamentar no Plenário da Câmara, em 10 de dezembro de 2025.

— Reprodução/Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

22 de maio de 2026

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (20), o Projeto de Lei (PL) que estabelece ações de enfrentamento ao racismo científico no Brasil. 

O PL 3292/2023, de autoria da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), foi aprovado em caráter substitutivo apresentado pelo relator Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). A proposta também cria o Dia Nacional Jacinta Maria de Santana de Enfrentamento ao Racismo Científico, a ser celebrado anualmente em 26 de novembro.

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Jacinta Maria foi uma mulher negra, morta em 26 de novembro de 1900, que teve seu corpo embalsamado e exposto como objeto de estudo na Faculdade de Direito de São Paulo por três décadas.

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O texto legislativo define como racismo científico a disseminação de estereótipos ou preconceitos raciais por profissionais especializados ou por pessoas que falem em nome de uma especialidade acadêmica, utilizando suposta fundamentação em evidências científicas.

O projeto determina a criação de diretrizes para o combate a esse tipo de discriminação, como a promoção do respeito às diferenças e da valorização das diversidades humanas em todos os espaços de difusão do conhecimento.

A matéria ainda prevê a adoção de ações, como a inclusão de conteúdos relativos à história do racismo científico e seus impactos nos cursos de graduação e pós-graduação, além de campanhas de conscientização.

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“O racismo científico se constitui como prática discriminatória, revestida de pretensa validade científica, para perpetuar estereótipos raciais e violar a dignidade humana de pessoas e grupos historicamente marginalizados”, destacou o relator em trecho do projeto. 

A proposta tramita de forma conclusiva e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, podendo dispensar a votação pelo Plenário.

Esse tipo de análise ocorre quando o projeto é votado somente pelas comissões. Perde-se o caráter conclusivo quando há divergência nas decisões ou se houver apresentação de recurso assinado por 52 deputados. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado na Câmara e no Senado, além de receber a sanção presidencial. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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