PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Angela Davis pede para brasileiros não elegerem sucessor de Bolsonaro

Escritora e ativista também condenou tentativas de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e criticou a concentração de riqueza nas mãos de bilionários e trilionários
A filósofa e escritora Angela Davis participa da mesa "América e África: uma conversa Atlântica", durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Sesc RJ.

A filósofa e escritora Angela Davis participa da mesa "América e África: uma conversa Atlântica", durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Sesc RJ.

— Rovena Rosa/Agência Brasil

27 de julho de 2026

A escritora, filósofa e ativista afro-americana Angela Davis aproveitou sua participação na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ocorrida neste fim de semana, no Rio de Janeiro, para fazer críticas à extrema direita, ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e às tentativas de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. 

Sem citar nominalmente Bolsonaro nem o presidente estadunidense Donald Trump, Davis defendeu que o Brasil impeça a chegada ao poder do “filho daquele”, em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que oficializou recentemente a sua candidatura à Presidência da República em 2026.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Ao discutir o avanço de governos de extrema-direita na Europa, na América Latina e nos Estados Unidos, a intelectual afirmou que esses grupos não representam a maioria da população e defendeu que os movimentos sociais reconheçam sua capacidade de organização.

“Somos mais fortes do que aqueles que fingem nos governar. Não temos consciência da nossa força porque nossa concepção de poder está ligada àqueles que elegemos”, afirmou.

Na sequência, Davis voltou o olhar para o cenário político brasileiro. Ao dizer que o desafio do país nas próximas eleições é impedir a vitória do “filho daquele”, a mediadora citou o sobrenome Bolsonaro. A escritora respondeu que evita pronunciar o nome do ex-presidente.

“Há uma tradição africana que diz que o ato de nomear alguém dá poder. Então me recuso a nomeá-lo”, declarou.

Leia mais: Angela Davis: As mulheres negras trans são os alvos principais de violência

Interferência externa e concentração de riqueza

Angela Davis também alertou para o que classificou como tentativa de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. Sem mencionar Trump diretamente, ela pediu que o eleitorado brasileiro não permita influência externa sobre a disputa presidencial.

A ativista ainda relacionou a ascensão da extrema-direita ao avanço da concentração de riqueza e retomou reflexões da intelectual brasileira Lélia Gonzalez sobre capitalismo e desigualdade racial. 

Segundo Davis, essas análises permanecem atuais diante do surgimento dos primeiros trilionários do planeta.

Ao citar o empresário Elon Musk como exemplo desse processo de concentração econômica, a escritora afirmou que a acumulação de riqueza está associada à exploração do trabalho e dos recursos naturais.

“Vivemos um momento em que bilionários e trilionários exploram a terra e parecem se importar apenas em acumular cada vez mais riqueza. Eles são responsáveis não apenas pela exploração dos seres humanos, mas também pela exploração desenfreada dos recursos naturais, a ponto de a devastação ambiental alcançar um nível tão grave que talvez, no futuro, já não exista um planeta habitável”, apontou.

As declarações ocorreram durante a mesa “América e África: uma conversa Atlântica”, que reuniu reflexões sobre democracia, racismo, justiça social e os desafios políticos contemporâneos. 

Reconhecida internacionalmente por sua trajetória no movimento negro e na defesa dos direitos humanos, Angela Davis tem mantido interlocução com intelectuais e movimentos sociais brasileiros, especialmente em debates sobre racismo, feminismo negro e sistemas de encarceramento.

Leia mais: Deputados negros reagem a tarifaço de Trump e acusam família Bolsonaro de atacar o próprio país

Texto com informações da Folha de S. Paulo.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano