Nesta segunda-feira (5), a Somália conduz as discussões da reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos durante o final de semana. O país africano assumiu a presidência rotativa do órgão máximo da ONU na sexta-feira (2), um dia antes dos ataques, e será representado por seu embaixador na ONU, Abukar Dahir Osman.
Além dos membros permanentes — China, EUA, França, Reino Unido e Rússia —, fazem parte do conselho Bahrein, Colômbia, Dinamarca, Grécia, Letônia, Panamá e Paquistão. Três países africanos também exercem mandato no órgão: Libéria, Somália e República Democrática do Congo. Os membros não permanentes têm mandato de dois anos.
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Na madrugada entre sexta e sábado (3), militares dos EUA realizaram bombardeios contra a capital venezuelana, Caracas, e sequestraram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. A ação deixou 40 mortos, entre civis militares — segundo publicação do New York Times — e foi repudiada internacionalmente.
Em declaração durante coletiva de imprensa após o ataque, o presidente norte-americano, Donald Trump, deixou claro que as motivações da agressão militar estão relacionadas ao controle do petróleo no país.
“Vamos ter nossas grandes petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, entrando [na Venezuela], gastando bilhões de dólares, consertando a infraestrutura danificada — a infraestrutura do petróleo — e começar a fazer dinheiro para o país”, disse o presidente norte-americano.
Países condenam ação dos EUA
Diversos países emitiram comunicados condenando o ataque à Venezuela. No sábado (3), Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha emitiram uma nota conjunta condenando a ação militar.
“Manifestamos nossa preocupação diante de qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, o que se mostra incompatível com o direito internacional e ameaça a estabilidade política, econômica e social da região”, diz o comunicado conjunto.
A chancelaria da África do Sul também publicou uma nota condenando os ataques e pedindo ao Conselho de Segurança da ONU que discutisse a questão.
“A África do Sul enxerga essas ações como uma violação manifesta da Carta da ONU, que diz que exige que todos os Estados-membros se abstenham do uso de ameaça ou força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado”, diz o texto do Departamento de Cooperação e Relações Internacionais sul-africano.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que está “profundamente alarmado” com a situação:
“Independentemente da situação na Venezuela, esses acontecimentos constituem um precedente perigoso. A Secretaria-Geral continua enfatizando a importância do respeito integral — de todos — da lei internacional, incluindo a Carta da ONU”, diz o comunicado assinado pelo porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.