O grupo cearense O Cheiro do Queijo apresenta a temporada piloto da websérie “Ceará Cumbia Show”. São três episódios em formato de ensaio aberto, onde MCs cearenses se reúnem em um laboratório musical com o desafio de criar em torno da musicalidade do rap junto aos ritmos populares latinos cumbia e reggaeton. O intuito é conectar e fortalecer a identidade regional latino cearense.
Em um cenário cultural marcado pela hegemonia de produções gringas — com alto poder financeiro e midiático —, o Ceará Cumbia Show surge como reflexão sobre os processos de apagamento cultural, propondo o reconhecimento e valorização da potente cena artística e das pesquisas musicais que emergem do próprio território cearense.
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O gênero cumbia é popular da Colômbia e tem influência de estilos africanos, ameríndios e europeus. Utiliza instrumentos musicais como tambores, flautas, maracas e acordeões, e se destaca por ser fortemente percussiva e dançável.
Sob a direção de Abü da Pereba, um dos idealizadores do grupo,, o ritmo não é apenas o que se escuta, mas o que se sente e deve ser falado. A curadoria de convidados para o programa trouxe rimas quentes sobre críticas sociais. É um manifesto dançante contra a violência policial, proibicionismo, modelos trabalhistas exploratórios, política e outras pirangagens – gíria de Fortaleza para se referir a coisas duvidosas, trapaceiras e negativas.
A estética do O Cheiro do Queijo defende a regionalidade em vários estilos musicais como o reggae, a swingueira, o rap, e foi a partir do contato do grupo com o artista cearense Zé de Guerrilla e suas pesquisas sobre cumbia que semeou a curiosidade pelo ritmo e o desejo pelo projeto atual.
Temporada completa disponível no Youtube
Como resultado desse projeto político, sonoro e afetivo, materializando os encontros e os diálogos potentes da diversidade de vivências, Ceará Cumbia Show representa a identidade periférica cearense e latina por meio da experimentação criativa e da valorização das expressões locais.
Complementando o trabalho de forma imagética, as artes visuais do grupo Fluxo Marginal aparecem nas projeções ao fundo dos MCs cantando. Os frames mostram registros do povo latino do Brasil e de países vizinhos, da cultura do Cariri, das guerrilhas urbanas e outras narrativas históricas que dialogam com a proposta de ser uma contranarrativa ao contemporâneo elitista.