Juliana Marins sonhava alto. Como tantas outras jovens brasileiras, construiu com coragem um futuro que ultrapassava fronteiras. Viajou, como tantas viajam, em busca de experiências, descobertas, vida. Mas quando mais precisou de ajuda, foi ignorada pela burocracia, pela distância, pelo descaso.
Uma jovem negra brasileira perdeu a vida fora do país. Não por acidente apenas, mas por negligência. Enquanto a família clamava por apoio, o socorro demorava a chegar. Foi a pressão popular que forçou respostas. E mesmo assim, elas vieram tarde demais.
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O que se passou é mais do que uma tragédia pessoal, é uma ferida aberta que escancara o valor da vida negra em contextos de poder. Se fosse outra cor, outro passaporte, a resposta teria sido mais ágil? É difícil não pensar nisso. A ausência de pressa, o silêncio das autoridades e a falta de protocolos adequados revelam o quanto ainda estamos longe de garantir a dignidade que todo ser humano merece, em qualquer lugar do mundo.
Sonhos negros costumam ser interrompidos antes da hora. Seja por violência, pelo racismo institucional ou pela omissão. Não bastava essa jovem vencer as barreiras diárias de ser mulher e negra no Brasil, ela teve que enfrentar o abandono mesmo fora de seu país.
A dor é coletiva. Porque quando uma jovem negra perde a vida dessa forma, toda uma comunidade sente. E não vamos calar. Vamos lembrar. Vamos cobrar. Porque a vida de Juliana importava. Porque nossas vidas importam dentro e fora do Brasil.