A organização Oxfam divulgou nesta quinta-feira (10) um relatório que revela que os quatro africanos mais ricos concentram mais riqueza do que metade dos 750 milhões de habitantes do continente. O documento alerta que a desigualdade crescente compromete a democracia, intensifica a pobreza e dificulta o enfrentamento da crise climática.
Segundo a Oxfam, a riqueza dos bilionários africanos cresceu 56% nos últimos cinco anos. Aliko Dangote, empresário nigeriano do setor de cimento e açúcar, é citado como o mais rico. A lista, de acordo com a revista Forbes, inclui ainda os sul-africanos Johann Rupert e Nicky Oppenheimer, além do egípcio Nassef Sawiris.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
A organização denuncia que a maioria dos países africanos não aplica sistemas tributários progressivos e eficazes, permitindo que a elite econômica continue acumulando riqueza. Segundo o relatório, os sistemas de tributação na África são quase três vezes menos eficientes do que a média global na redistribuição de renda da parcela mais rica da população.
“Não falta riqueza na África. Ela está sendo desviada por um sistema manipulado que permite a uma pequena elite acumular vastas fortunas, ao mesmo tempo que nega a centenas de milhões até os serviços mais básicos. Esta é uma falha política total — injusta, evitável e totalmente reversível”, disse na divulgação do estudo Fati N’Zi-Hassane, diretora da Oxfam no continente africano.
A Oxfam também responsabiliza políticas regressivas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o uso de paraísos fiscais, que permitem que bilhões de dólares escapem dos sistemas nacionais de impostos. Estima-se que o continente africano perca cerca de US$ 88,6 bilhões por ano devido a fluxos financeiros ilícitos.
Democracia enfraquecida e retrocessos em direitos
O documento aponta que a desigualdade econômica tem afetado diretamente a qualidade da democracia na África. A captura do sistema político por interesses dos super-ricos enfraquece políticas públicas voltadas aos mais pobres. Como exemplo, a Oxfam menciona a Nigéria, onde o custo para se candidatar a cargos públicos é elevado e onde a compra de votos é comum em um cenário de pobreza generalizada.
Desde 2022, quase 90% dos países africanos retrocederam em políticas relacionadas à tributação, direitos trabalhistas e salários mínimos — mecanismos considerados essenciais para combater a desigualdade. A Oxfam recomenda uma reformulação das administrações tributárias nos países africanos e políticas fiscais que garantam justiça social.