A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) denunciou, em nota pública publicada na segunda-feira (20), o contexto de violações de direitos e abandono institucional da comunidade quilombola Von Bock, em São Gabriel (RS).
Segundo a entidade, a comunidade, que resiste há mais de um século, enfrenta uma sequência de ataques e episódios de violência que comprometem a permanência no território e ameaçam sua existência coletiva.
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O documento informa que, de acordo com relatos, uma família quilombola foi retirada de sua casa em dezembro de 2025, após sucessivas ameaças decorrentes de conflitos fundiários.
No dia seguinte, a residência mais antiga da comunidade foi destruída por um incêndio. Desde então, os moradores não conseguiram reconstruir a moradia.
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Os quilombolas também denunciam a falta de respostas efetivas das autoridades na investigação do caso. Além disso, a comunidade enfrenta uma dívida superior a R$ 3 mil junto à concessionária de energia elétrica, pelos prejuízos causados no incêndio.
A nota ainda destaca restrições no acesso à água e dificuldades relacionadas ao transporte público e ressalta que as violações configuram racismo institucional contra os povos tradicionais.
“É inaceitável que comunidades quilombolas continuem sendo submetidas à violência, ao abandono e à negação de direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal e pelos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário”, diz trecho do comunicado.
Em resposta, a CONAQ exige a apuração rigorosa dos fatos denunciados pelas autoridades responsáveis e a responsabilização dos envolvidos, além da proteção das famílias quilombolas e suas lideranças.
A organização também solicita apoio para a reparação dos danos sofridos pela família atingida, a garantia da permanência da comunidade no território e o acesso imediato à água, energia elétrica e outros serviços essenciais.
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