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Após assassinato de jovem negro, CUT-SP reativa canal contra racismo no trabalho

Iniciativa retorna com estrutura ampliada em julho, mês de luta antirracista, e recebe relatos de discriminação por telefone e e-mail
A foto mostra bandeiras da CUT-SP em destaque.

A foto mostra bandeiras da CUT-SP em destaque.

— Reprodução/SMETAL

12 de julho de 2025

A Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) reativou o Canal de Denúncias contra o Racismo no Mundo do Trabalho. Criada em 2020 como iniciativa pioneira no acolhimento de vítimas de discriminação racial no ambiente profissional, a plataforma volta com nova estrutura de atendimento, incluindo suporte jurídico gratuito. O canal pode ser acessado por telefone, no número (11) 2108-9173, ou pelo e-mail [email protected].

A ação visa oferecer suporte a trabalhadores e trabalhadoras que enfrentam situações de racismo no cotidiano laboral, cobrar providências legais e contribuir para o combate ao racismo estrutural nas relações de trabalho. A orientação é que as denúncias sejam detalhadas, com informações como data, local, nome da empresa, descrição da situação e, se possível, dados de testemunhas.

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O relançamento ocorre no mesmo mês em que se celebra o Dia Estadual de Combate ao Racismo, em 3 de julho. No dia seguinte, foi assassinado Guilherme Dias dos Santos Ferreira, jovem negro de 26 anos, morto com um tiro na cabeça por um policial militar fora de serviço na zona sul de São Paulo. 

Para o secretário-geral da CUT-SP e dirigente sindical na Scania, Daniel Bispo Calazans, o caso reforça a urgência do combate ao racismo institucional, inclusive nos espaços de trabalho.

“É o preconceito que enxerga todo jovem negro como criminoso. Por isso, seguimos em luta: por respeito, por justiça e por um Brasil verdadeiramente igualitário”, afirmou em nota Calazans, ao comentar o assassinato de Guilherme, que voltava do trabalho quando foi confundido com um suspeito. 

Calazans ainda afirma que o combate ao racismo também precisa acontecer dentro das empresas e sindicatos, com ações contínuas de formação, escuta e responsabilização.

A CUT-SP destaca que o racismo no trabalho não se expressa apenas em atos explícitos, mas também em estruturas e práticas institucionais que naturalizam a desigualdade. Para Daniel Calazans, a denúncia é uma das ferramentas essenciais na luta coletiva contra o racismo. 

“É importante lembrar que o racismo não se expressa apenas em atitudes explícitas de discriminação, mas também em práticas cotidianas e estruturas sociais que sustentam desigualdades”, afirmou.

Pesquisa mostra que racismo é a principal forma de discriminação nas empresas brasileiras

Dados de uma pesquisa realizada pela consultoria CEGOS com exclusividade para a CNN Brasil mostram que o racismo é considerado a forma mais comum de discriminação nas empresas brasileiras, segundo 75% dos profissionais de recursos humanos ouvidos. O levantamento foi feito com mais de 4 mil profissionais em sete países: França, Alemanha, Itália, Grã-Bretanha, Espanha, Portugal e o Brasil.

No contexto global, 82% dos entrevistados relataram já ter testemunhado algum tipo de discriminação no trabalho. Entre os fatores mais apontados estão aparência física (46%), idade (42%), racismo (41%) e gênero (38%). A pesquisa também revela que, entre pessoas de 18 a 24 anos, os índices de percepção de discriminação são ainda mais altos.

No Brasil, além do racismo, aparecem como motivos de discriminação: opiniões políticas (42%), aparência física (37%) e gênero (38%). Mais de 60% dos entrevistados relataram já ter sofrido ao menos uma forma de discriminação no ambiente de trabalho. Os principais agentes dessas práticas, segundo a pesquisa, são colegas de trabalho e gerentes diretos.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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