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Catar apresenta rascunho de acordo de paz entre governo da RD Congo e grupo M23

Negociações mediadas pelo Catar avançam com proposta compartilhada às partes, mas prazo inicial para acordo não foi cumprido
O mediador de paz Sumbu Sita Mambu, um alto representante do chefe de Estado na República Democrática do Congo (RD Congo), e o secretário executivo do grupo armado M23, Benjamin Mbonimpa, trocam documentos após assinarem um acordo de cessar-fogo na capital do Catar, Doha, em 19 de julho de 2025.

O mediador de paz Sumbu Sita Mambu, um alto representante do chefe de Estado na República Democrática do Congo (RD Congo), e o secretário executivo do grupo armado M23, Benjamin Mbonimpa, trocam documentos após assinarem um acordo de cessar-fogo na capital do Catar, Doha, em 19 de julho de 2025.

— Karim Jaafar/AFP

18 de agosto de 2025

O Catar compartilhou com o governo da República Democrática do Congo (RDC) e com o grupo M23 um rascunho de acordo de paz, como parte das negociações que vêm sendo realizadas em Doha. A informação foi confirmada neste domingo (17) por um funcionário do Ministério das Relações Exteriores catariano.

“O documento foi entregue tanto ao governo quanto ao M23 e já recebemos respostas positivas de ambas as partes”, afirmou o representante, que ressaltou o compromisso das delegações em manter o processo de diálogo.

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As negociações integram o chamado processo de Doha, lançado em julho, quando o governo congolês e o M23 assinaram uma declaração de princípios. O documento inicial previa a conclusão de um acordo de paz até 18 de agosto, mas o prazo não foi cumprido.

Apesar do atraso, os mediadores afirmam que os contatos diplomáticos seguem avançando e que as partes manifestaram interesse em prosseguir com as tratativas. “Reconhecemos os desafios que permanecem no terreno, mas acreditamos que podem ser superados por meio de compromisso genuíno”, declarou o representante catariano.

Desafios para a paz

O processo de Doha se soma a outras iniciativas, como a mediação da Comunidade da África Oriental e a atuação da União Africana. A sobreposição de esforços, embora positiva no plano diplomático, gera dúvidas sobre coordenação efetiva.

Especialistas avaliam que a negociação enfrenta obstáculos de difícil superação. Entre eles estão a exigência do governo congolês de retirada imediata do M23 das áreas ocupadas, a reivindicação da milícia por reintegração política e militar e as tensões diplomáticas entre RDC e Ruanda.

Além disso, o leste congolês abriga mais de 100 grupos armados ativos, o que torna o M23 apenas uma das variáveis do cenário de insegurança. Qualquer acordo que não contemple medidas abrangentes de desmobilização pode resultar em solução parcial e frágil.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Catar, uma nova rodada de reuniões será convocada em Doha nas próximas semanas. O objetivo será consolidar os pontos do rascunho já apresentado e avançar em propostas que permitam a suspensão das hostilidades.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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