Após três meses de negociações diretas em Doha, no Catar, o governo da República Democrática do Congo (RDC) e o grupo armado M23 assinaram neste sábado (19) uma declaração de princípios que estabelece os fundamentos para um possível acordo de paz. O pacto inclui o compromisso com um cessar-fogo permanente, diretrizes para restaurar a autoridade do Estado no leste do país e um cronograma para negociações subsequentes.
A cerimônia contou com a presença do ministro de Estado para Assuntos Exteriores do Catar, Dr. Mohammed bin Abdulaziz bin Saleh Al Khulaifi, e de representantes internacionais. O secretário permanente do M23, Benjamin Mbonimpa, e o enviado presidencial congolês Sumbu Sita Mambu formalizaram a assinatura do documento. A expectativa é que as partes iniciem as negociações para um acordo final até o dia 8 de agosto.
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A região leste da RDC enfrenta instabilidade há mais de três décadas, impulsionada pela disputa por recursos minerais e tensões geopolíticas. Entre janeiro e fevereiro deste ano, o M23 realizou uma ofensiva que resultou em milhares de mortes e no controle de cidades estratégicas como Goma e Bukavu.
A declaração prevê a suspensão imediata de hostilidades, a proibição de propaganda de ódio e a abstenção de novas conquistas territoriais por meio da força. Também foi acordado um roteiro para a retomada da autoridade estatal nas áreas atualmente controladas pelo M23.
Diálogo paralelo e pressões diplomáticas
O entendimento firmado no Catar segue a assinatura de um acordo entre os governos da RDC e de Ruanda em 27 de junho, nos Estados Unidos. No entanto, o M23 havia manifestado que questões centrais ficaram fora daquele documento, o que motivou sua busca por um acordo direto com Kinshasa.
Ruanda, acusado por especialistas da ONU de apoiar militarmente o M23 — o que o governo ruandês nega —, agradeceu os esforços diplomáticos do Catar e dos Estados Unidos. O presidente ruandês, Paul Kagame, e o presidente congolês, Félix Tshisekedi, devem se encontrar nos próximos meses para consolidar os compromissos assumidos.
O governo da RDC impôs como linha vermelha a retirada não negociável do M23 dos territórios ocupados, seguida pela reinstalação das instituições estatais, incluindo as forças armadas. O acordo prevê que os termos iniciais sejam implementados até 29 de julho.
A União Africana, a União Europeia e a missão da ONU na região, MONUSCO, saudaram o acordo como um avanço importante.
The Chairperson of the African Union Commission Welcomes the Signing of Declaration of the Principles Between the Democratic Republic of the Congo and the Alliance Fleuve Congo / March 23 Movement (AFC/M23).
— African Union (@_AfricanUnion) July 19, 2025
The Chairperson of the African Union Commission, H.E. Mahmoud Ali… pic.twitter.com/q0roHFYzAn