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‘Ntanga’: espetáculo em SP conecta ancestralidade negra e força do mar

Obra de Inaê Moreira cruza dança, música e cosmopercepção Bantu para evocar memórias da diáspora africana
Mulher negra em espetáculo de dança "Ntanga".

Mulher negra em espetáculo de dança "Ntanga".

— Divulgação/Safira Moreira

7 de setembro de 2025

Entre os dias 8 e 15 de setembro, São Paulo recebe o espetáculo Ntanga, dirigido e criado por Inaê Moreira (BA-RJ), que também assina a cena ao lado de Júlia Lima (SP) e Danielli Mendes (Ilhabela-SP). A obra, apresentada gratuitamente, tem como inspiração a ancestralidade negra brasileira e a força simbólica do mar, a Kalunga, linha que costura mundos e evoca memórias, travessias e reencantamento.

Em cena, corpo, voz e sonoridades se entrelaçam em uma poética sobre o tempo, inspirada no cosmograma Bakongo (grupo étnico da África Central), que entende passado, presente e futuro como dimensões conectadas em espiral.

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A direção musical é assinada por Lucas Carvalho (BA-SP), enquanto o cenário foi concebido pela artista visual Mônica Ventura (SP), com tecidos em diferentes tons de azul que remetem ao oceano Atlântico. O espaço é preenchido por sonoridades ao vivo, que reforçam a dimensão espiritual da obra.

“Ntanga está interessado naquilo que produz vida, evidenciando o corpo afro-brasileiro como um pergaminho que guarda rastros e fabulações, sempre orientado pela ancestralidade”, afirma em nota à imprensa Inaê Moreira.

Filosofia Bantu em cena

Segundo a pesquisadora Leda Maria Martins, em kikongo (uma das línguas Bantu do Congo), Ntanga designa atos de escrever e dançar, tendo origem no substantivo ntangu, que significa tempo. A pesquisa filosófica em torno da cosmopercepção bakongo orienta o espetáculo, que transforma sons, movimentos e provérbios em reminiscências e práticas de encantamento.

No palco, a dança, a palavra e a música se apresentam não apenas como expressões estéticas, mas como parte de um sistema de memória e fabulação que reafirma a potência de cosmologias ancestrais africanas.

As apresentações ocorrerão em espaços culturais relevantes da capital, como o Greta Galpão, o Edifício Oswald de Andrade e o Teatro Reynuncio Lima (Unesp). Todas as sessões serão gratuitas e contarão com recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição.

Serviço

Espetáculo ‘Ntanga’

Greta Galpão: 8, 9 e 10 de setembro às 20h30 | Rua Pedro Soares de Almeida, 104 – Vila Anglo Brasileira (Sumarezinho)

Edifício Oswald de Andrade: 12 de setembro às 20h | 13 de setembro às 16h (sessão com audiodescrição) | Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro

Teatro Reynuncio Lima (Unesp): 15 de setembro às 19h30 (sessão com audiodescrição) | Rua Dr. Bento Teobaldo Ferraz, 271 – Barra Funda

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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