O presidente de Gana, John Mahama, anunciou nesta quarta-feira (10) que o país começou a receber cidadãos da África Ocidental deportados pelos Estados Unidos. A medida faz parte de um acordo firmado entre Accra e Washington em meio a tensões bilaterais que envolvem tarifas sobre produtos ganeses e restrições na emissão de vistos.
Segundo Mahama, o entendimento baseia-se no protocolo regional que permite a livre circulação de pessoas da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). “Fomos procurados pelos Estados Unidos para aceitar nacionais de terceiros países da África Ocidental que estavam sendo removidos, e concordamos que esses cidadãos seriam aceitos”, declarou o presidente.
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Um grupo inicial de 14 pessoas chegou a Gana. Entre eles estavam nigerianos que posteriormente retornaram ao seu país de origem e um gambiano. Mahama não detalhou quando essas movimentações ocorreram.
A presença de nigerianos em território ganês é histórica, mas episódios recentes de hostilidade contra a comunidade têm gerado protestos. Manifestações em algumas cidades exigiram a expulsão de imigrantes nigerianos, sob acusações de crimes e competição econômica. Em julho, a tensão levou o governo nigeriano a enviar um emissário especial a Accra para negociar medidas de contenção dos protestos.
Pressões dos Estados Unidos
O acordo sobre deportações ocorre no contexto de endurecimento da política migratória do governo Donald Trump, marcada pelo envio de estrangeiros a países onde nunca viveram. Centenas já foram encaminhados para um presídio em El Salvador e outros para o Panamá, mesmo antes da análise de pedidos de asilo.
A Casa Branca também utilizou uma lei do século XVIII para deportar pessoas identificadas como venezuelanas para El Salvador, ignorando decisões judiciais que determinaram o retorno de aeronaves. Além disso, os EUA têm deslocado deportados para países como o Sudão do Sul.
Enquanto Gana aceitou receber deportados, a Nigéria se opôs a acordos semelhantes. O ministro das Relações Exteriores nigeriano, Yusuf Tuggar, afirmou em julho que o país não aceitaria venezuelanos vindos diretamente de prisões americanas e associou pressões tarifárias dos EUA a essa disputa.