O governo do Sudão do Sul afirmou nesta quinta-feira (4) que não há qualquer plano para receber palestinos de Gaza. A declaração foi uma resposta a informações de que o país africano teria sido sondado por Israel como possível destino para reassentamento da população deslocada pela ofensiva militar em curso no território palestino.
Segundo o diretor-geral para Relações Bilaterais, Philip Jada Natana, “nunca houve qualquer discussão sobre o reassentamento de palestinos no Sudão do Sul”. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Apuk Ayuel Mayen, reforçou que não existe acordo com os Estados Unidos sobre deportação de terceiros países. A informação é da Agence-France Presse (AFP).
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O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu já havia defendido a ideia de permitir a saída “voluntária” de palestinos de Gaza. Segundo ele, Israel mantém conversas com diferentes países para viabilizar essa possibilidade. Em agosto, o vice-ministro das Relações Exteriores de Israel, Sharren Haskel, visitou Juba, encontro classificado como a mais alta visita oficial israelense ao país.
A iniciativa é parte de uma estratégia mais ampla que tem sido discutida em Israel e nos Estados Unidos desde 2024, quando Donald Trump voltou a cogitar propostas de transferir parte da população de Gaza para outros países. Relatórios mencionaram negociações não apenas com o Sudão do Sul, mas também com Egito, Somália e até Indonésia.
Deportações e negações oficiais
Em julho, o Sudão do Sul recebeu oito homens deportados dos Estados Unidos, todos condenados por crimes graves. Um deles, cidadão sul-sudanês, já foi liberado para a família. Os outros sete permanecem sob custódia oficial. Segundo a chancelaria, a recepção desses indivíduos ocorreu em um acordo bilateral específico e não representa política de acolhimento sistemática.
Apuk Ayuel Mayen ressaltou que “não há negociações em curso e nenhum acordo assinado” com Washington.
O desmentido ocorre em meio a um cenário de fragilidade interna no Sudão do Sul. O país enfrenta alta da violência política e social, e analistas alertam que a nação corre risco de mergulhar em uma nova guerra civil. O conflito anterior, encerrado em 2018, deixou cerca de 400 mil mortos.