Gênero e raça têm papel determinante nas escolhas eleitorais das mulheres brasileiras. No momento do voto, 89% das entrevistadas afirmam preferir candidaturas femininas, 78% demonstram preferência por candidaturas negras e 68% por candidaturas indígenas. Além disso, 59% das mulheres consideram a democracia a melhor forma de governo, enquanto apenas 4% se mostram favoráveis a regimes ditatoriais.
Os dados são da pesquisa nacional “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, divulgada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc São Paulo.
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O levantamento realizado ao longo de 2023, avaliou seis eixos temáticos: cultura política e participação; imagem da mulher – machismo e feminismo; corpo, sexualidade e saúde das mulheres; violência contra as mulheres; proteção social e política de cuidados; e trabalho remunerado e não remunerado.
A pesquisa foi dividida em duas fases, uma qualitativa, com entrevistas com 65 mulheres cisgênero e transgênero, e uma quantitativa, que ouviu 2.440 mulheres e 1.221 homens, de áreas urbanas e rurais, em todas as regiões do país. Como comparação, a edição de 2001 contou com 2.500 entrevistas domiciliares. O levantamento seguinte ouviu 2.365 mulheres e 1.181 homens.
Entre os homens, 72% também dizem preferir candidaturas femininas, 71% apoiam candidatos negros e 62% indígenas.
Ainda segundo os dados, 66% das mulheres votariam em candidaturas favoráveis à demarcação de terras indígenas e à defesa de pautas voltadas a esses povos. Já, 71% são contrárias à influência da religião nas decisões políticas.
Por outro lado, 64% reconhecem que ainda há preconceito e discriminação contra a participação feminina na política, percepção compartilhada por 55% dos homens.
A cientista social Sofia Toledo, mestra em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Núcleo de Opinião Pública, Pesquisas e Estudos (NOPPE) da Fundação Perseu Abramo, destaca que esse preconceito está fortemente ligado a estereótipos de gênero, como a ideia de que mulheres não têm competência ou inteligência para cargos de liderança.
“As razões para tal discriminação se relacionam a estereótipos de gênero, como os homens acharem que a mulher não tem competência nem capacidade para administrar, o fato de a considerar menos inteligente e inferior, o medo que eles têm de perder seu espaço para ela, efeitos do patriarcado e da produção da misoginia”, diz a pesquisadora em comunicado à imprensa.