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Pesquisa: 6 em cada 10 empreendedoras negras de SP ganham até um salário mínimo

Apenas 5% das mulheres negras empreendedoras têm rendimento superior a quatro salários mínimos, e oito em cada dez trabalham sozinhas
Feira de afroempreendedorismo no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), no centro do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 2023.

Feira de afroempreendedorismo no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), no centro do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 2023.

— Tânia Rêgo/Agência Brasil

8 de outubro de 2025

Um levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, mostra o peso e a vulnerabilidade das mulheres empreendedoras negras da Região Metropolitana de São Paulo. Embora representem um contingente expressivo de 473,4 mil mulheres, essas empreendedoras enfrentam desafios estruturais, sociais e econômicos que limitam as oportunidades de crescimento.

O estudo revela que 60% sobrevivem com até um salário mínimo proveniente de seus negócios, enquanto apenas 5% ultrapassam a faixa de quatro salários mínimos. O contraste racial e de gênero também é evidente e mostra que entre mulheres brancas, 33% estão na base da pirâmide de renda e 16% superam os quatro salários mínimos, enquanto entre homens brancos apenas 22% recebem até um salário mínimo.

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“Estamos diante de uma realidade que escancara como raça e gênero continuam determinando as oportunidades no Brasil. Valorizar e apoiar as empreendedoras negras significa não só combater desigualdades históricas, mas também apostar em um motor de inovação e desenvolvimento para o país”, destaca o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.

A precariedade estrutural dos negócios é marcante. Oito em cada dez empreendedoras negras trabalham sozinhas, 13% contam com ajuda de outras pessoas e apenas 9% empregam formalmente. A formalização também é baixa: somente 27% possuem CNPJ, contra 45% das mulheres brancas e 43% dos homens brancos.

Além disso, 55% não têm estabelecimento específico para o funcionamento do negócio, realidade que se inverte entre os brancos, já que 54% dos homens e 57% das mulheres brancas empreendedoras possuem espaço próprio.

Escolarização e a busca por conhecimento

Entre as entrevistadas, 23% afirmaram ter buscado se especializar antes de abrir o negócio, 42% foram se especializando no processo e 34% admitem que ainda não conhecem bem a área em que atuam. Apenas um terço fez cursos relacionados ao negócio no último ano.

Para se atualizar, 53% utilizam sempre alguma estratégia, como acompanhar perfis em redes sociais (38%), trocar ideias com outros empreendedores (25%) e assistir a vídeos no YouTube (21%).

Uso das redes sociais

O ambiente digital já é parte da rotina dessas mulheres. Cerca de 86% utilizam aplicativos de mensagens para divulgar ou vender seus produtos e serviços, 74% recorrem às redes sociais e 21% usam algum tipo de site especializado para comercialização. No campo off-line, 76% adotam ao menos uma estratégia de divulgação tradicional, sendo que 50% têm logomarca e 64% trabalham com um nome específico e conhecido para seus negócios.

Apesar das dificuldades, há otimismo em relação ao futuro. Sete em cada dez empreendedoras pretendem ampliar o negócio nos próximos anos, embora 54% confessem medo de arriscar e perder o que já conquistaram. Metade acompanha tendências do mercado e pesquisa a concorrência para inovar e se diferenciar, demonstrando que, mesmo em meio às adversidades, há disposição para crescer.

Comportamento financeiro

A sustentabilidade financeira, porém, ainda é frágil. Apenas 41% afirmam que o faturamento cobre todos os custos todos os meses, e para 59% isso só ocorre em alguns períodos. Quando o foco está no lucro, 35% dizem que ele é suficiente para custear suas despesas pessoais, mas apenas 9% conseguem poupar mensalmente para realizar sonhos ou objetivos de longo prazo.

A separação entre as finanças do lar e do negócio também é problemática. Cerca de 56% afirmam tentar manter essa divisão, mas só 41% conseguem sempre. Além disso, o conceito de estabilidade financeira varia entre elas. Para 29%, significa ter uma reserva para emergências. Para 37%, não ter dívidas e conseguir pagar as contas em dia e para 34%, apenas manter o controle dos gastos cotidianos.

Quando questionadas sobre por quanto tempo conseguiriam se sustentar sem trabalhar, 18% responderam que não resistiriam nem um mês, 35% disseram que conseguiriam se manter por até cinco meses e apenas 12% afirmaram ter condições de sobreviver por seis meses ou mais.

Pra muitas das mulheres entrevistadas o empreendedorismo é um espaço de potências. Mas, para que isso se concretize, as entrevistadas apontaram soluções prioritárias como a criação de aplicativos de gestão do negócio, consultoria especializada, redes de apoio para cuidados infantis; programas de capacitação continuada e linhas de crédito facilitadas, adaptadas às suas realidades.

A pesquisa contou com 500 entrevistas presenciais realizadas com empreendedoras negras da Região Metropolitana de São Paulo, entre 9 e 22 de abril de 2024, com margem de erro de 4,4 pontos percentuais. O recorte considerou mulheres com pelo menos ensino médio completo e renda mínima de um salário, representando 44% do perfil total da região.

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  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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