Moradores do bairro Perus, na região noroeste de São Paulo, denunciaram, na segunda-feira (20), um projeto que pretende instalar um incinerador de lixo próximo à unidade de preservação Refúgio da Vida Silvestre (RVS) do Parque Anhanguera e da Terra Indígena do Jaraguá.
Em nota à imprensa, o movimento “Incinerador de Lixo em Perus, não”, formado pela população e por ativistas ambientais, informou que a iniciativa é da concessionária Loga, responsável pelos resíduos sólidos urbanos.
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Batizado de “Unidade de Recuperação Energética (URE) Bandeirantes”, o projeto de implementação já está em fase de aprovação na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e está localizado a sete quilômetros da comunidade indígena.
O comunicado destaca que os residentes do bairro e da comunidade indígena não foram previamente consultados sobre os impactos do incinerador e que sua instalação põe em risco a biodiversidade do Parque Anhanguera, além da saúde de todos.
A química e cofundadora da Comunidade Cultural Quilombaque Thaís Santos, moradora do local, explica que a exposição contínua aos gases emitidos incineradores está cientificamente associada a diversos riscos à saúde, tanto para os moradores do entorno, quanto para os trabalhadores das instalações.
“A liberação de poluentes tóxicos no ar, como dioxinas, furanos, metais pesados e partículas finas, tem alto potencial bioacumulativo, capazes de se acumular nos tecidos biológicos e causar efeitos crônicos. Óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre e compostos orgânicos são associados a doenças respiratórias, como asma, bronquite crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica e infecções respiratórias recorrentes”, explica Thaís Santos.
Atualmente, o bairro Perus concentra um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica da capital paulista, sendo o Anhanguera o segundo maior parque municipal de São Paulo, com cerca de 9,5 milhões de metros quadrados.
Ainda de acordo com relatos da população, a área onde o incinerador deve ser instalado é historicamente contaminada por gases tóxicos, como metano e dióxido de carbono, o que agrava os riscos ambientais.
“Construir um incinerador sobre ou próximo a um local com presença de gás inflamável como um aterro sanitário que ainda gera biogás metano, que é altamente inflamável e ainda pode estar acumulado no subsolo, é uma atividade potencialmente perigosa, criando riscos de explosão e incêndio em grande escala. Só poderia ser reutilizado com base em estudos técnicos que monitorem a qualidade da água e do solo”, completa.
O movimento dos moradores reivindica a consulta pública junto aos moradores, a atenção da Cetesb para a reprovação do projeto e a implementação das metas e objetivos do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS) do município.