A 30ª Conferência das Partes (COP30), que tem início no dia 10 de novembro em Belém (PA), coloca a floresta Amazônica no centro do debate global sobre as mudanças climáticas e reúne líderes e organizações mundiais em busca de soluções para preservação dos biomas e justiça climática.
Para além de debates sobre clima, o período que antecede a COP 30 tem sido marcado por discussões sobre especulação imobiliária, racismo ambiental, despejo de lixo em comunidades tradicionais e colapso na saúde de Belém, o que demonstra os impactos socioambientais da conferência na capital paraense.
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Há meses a Alma Preta tem acompanhado de perto a preparação para o evento e reunimos cinco matérias para entender o contexto da COP 30 em Belém. Confira abaixo:
1. Estado do Pará já derrubou 107 campos de futebol em floresta em uma única obra projetada para a COP30

Uma obra do Governo do Pará derrubou uma área de proteção ambiental da Região Metropolitana de Belém equivalente a 107 campos de futebol. A obra é parte da construção da Avenida Liberdade, uma via expressa de 13,4 km que corta áreas de floresta, comunidades ribeirinhas e corpos d’água da região amazônica. O financiamento do Governo do Pará totaliza mais de R$ 500 milhões.
2. Moradores que vivem de aluguel em Belém enfrentam despejos às vésperas da COP30

A demanda por hospedagem para os participantes da COP30 tem provocado uma crise de moradia e despejos de inquilinos. Em entrevista à Alma Preta, moradores de regiões próximas ao evento relatam avisos de despejos e a não renovação de contratos, muitas vezes sem justificativa. Anúncios nas regiões indicam que os proprietários querem alugar os imóveis por preços elevados para os cerca de 50 mil visitantes esperados para o evento.
3. Sede da COP30 quer despejar lixo em área de comunidades quilombolas com aval do estado

Um projeto de aterro sanitário na zona rural de Bujaru, cidade no nordeste do Pará, está sendo planejado a cerca de 530 metros de comunidades quilombolas, sem que elas tenham sido consultadas. De acordo com o projeto, o aterro deve receber 1,6 mil toneladas diárias de resíduos sólidos da Região Metropolitana de Belém e do próprio município de Bujaru. Comunidades denunciam racismo ambiental, ausência de diálogo e riscos ao meio ambiente, à saúde e aos modos de vida tradicionais.
4. Fundo para florestas tropicais é elo entre Brasil e RD Congo na COP30

Um fundo de investimento para preservar as florestas tropicais do planeta será oficialmente lançado durante a COP30 com objetivo de arrecadar US$ 4 bilhões anuais e reparti-los entre 70 países detentores de florestas tropicais. A iniciativa une o Brasil e a República Democrática do Congo (RD Congo), responsáveis pelas maiores florestas tropicais do mundo, a Amazônia e a floresta do Congo, com a proposta de pensar em estratégias de proteção dos respectivos biomas.
5. Belém enfrenta riscos de colapso na saúde às vésperas da COP30

Profissionais da saúde do Pará denunciam sobrecarga e salários atrasados às vésperas do início da COP30, em novembro de 2025. Cerca de 200 médicos estão há quase quatro meses sem receber os pagamentos pelos plantões realizados e têm cobrado posicionamento à administração das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade, que são geridas pela iniciativa privada. O Ministério Público Federal (MPF) classificou o cenário como “risco iminente de colapso do sistema de urgência e emergência” de Belém.
Financiamento da Alma Preta fortalece cobertura da COP30
Através do jornalismo preto e independente que as pautas da justiça climática e do combate ao racismo ambiental chegam ao debate público com a profundidade necessária.
Portanto, o apoio e o financiamento contínuo a iniciativas da Alma Preta são fundamentais para garantir que essas histórias sejam apuradas e cobradas com um olhar atento para os marcadores de raça, classe, território e diversidade na crise climática.
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