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‘Copinha’ e o jogo da visibilidade

Documentário dirigido por Joaquim Salles traz para a tela não apenas o que o futebol representa enquanto esporte, mas expande sua força para além dele.
Jovens em cena do documentário "Copinha".

Jovens em cena do documentário "Copinha".

— Divulgação

26 de outubro de 2025

Existe o conceito de que o cinema é a soma de todas as artes — e, em sua potência, condensa múltiplas possibilidades de conexão com o público.

“Copinha”, documentário dirigido por Joaquim Salles, traz para a tela não apenas o que o futebol representa enquanto esporte, mas expande sua força para além dele.

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Na sala mais enérgica em que estive até agora na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, cada gol era celebrado, cada conquista acompanhada por gritos — e cada história, por sorrisos e lágrimas.

Ao retratar o processo do Sub-20 do Esporte Clube Macapá que pela primeira vez em sua história, irá disputar uma Copinha (uma das competições de base mais importantes do mundo), o documentário desperta algo essencial em nós, latino-americanos: a identificação.

O time do Macapá entende, a todo momento, o tamanho que tem — e faz disso munição para bater de frente com os adversários. Eles sabem da disparidade de investimento em relação aos outros clubes. E essa desigualdade se estende muito além do esporte: fala sobre uma região rica em cultura, trabalho e beleza, mas frequentemente colocada à margem do olhar nacional.

É nessa força e de cabeça erguida que somos lançados logo no início — não apenas para acompanhá-los, mas para nos sentirmos parte dessa comitiva.

A riqueza dos elementos que compõem o documentário é impressionante, e a sensação é de que nada é desperdiçado. Acompanhamos os destaques do time que, por conta da idade limite, sabem que essa é a última chance de chamar a atenção de um olheiro nacional ou internacional. Vemos o time de marketing, surpreso com o crescimento inesperado dos números e do engajamento.

E conhecemos o técnico que deixou a vida e a família em Portugal para cuidar desses jovens. É dele, aliás, boa parte dos momentos mais cômicos e emocionantes do filme — especialmente quando, em um discurso de vestiário, ele lembra aos meninos que suas dores são também suas maiores vantagens:

“Eles nunca tiveram que jogar no sol quente do Amapá. Vocês sim.
Nunca tiveram que jogar com fome. Vocês sim.”

Ao final da projeção, é quase impossível não se sentir pertencente àquela história, àquelas pessoas, àquele time. E essa é uma das maiores forças do cinema: dar visibilidade a um recorte de vida. Era isso que muitos daqueles jogadores queriam — e precisavam.

Por eles, pelo time, por uma região.

Um gol brilhante.

A editoria Quilombo reúne textos opinativos. Este é um artigo de opinião e não representa necessariamente a visão da Alma Preta sobre quaisquer temas.

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  • Vitin Alencar

    Vitin Allencar é diretor e cineasta brasileiro. Co-fundador da produtora Dois Pontos Filmes, é reconhecido por seu trabalho inovador na indústria musical, criando videoclipes e projetos visuais para artistas como Pabllo Vittar, Pocah e Gloria Groove.

    No cinema, dirigiu curtas-metragens e registros documentais, explorando narrativas que transitam entre o real e o estético. Seu olhar combina linguagem cinematográfica e imaginação visual, resultando em obras marcadas por impacto, sensibilidade e identidade.

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