PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Espetáculo gratuito em SP refaz lendas brasileiras em sátiras de terror político

A montagem mistura folclore, crítica social e rock indígena em um ritual cênico sobre o Brasil colônia e o presente
Artista do elenco de "Mitologia Tropikal".

Artista do elenco de "Mitologia Tropikal".

— Felipe Gabriel/Projeto Crioulos

2 de novembro de 2025

O Projeto Crioulos celebra quatro anos de trajetória com uma montagem que mistura folclore, crítica social e rock indígena, viabilizada por seu segundo Fomento ao Teatro. Último espetáculo da trilogia de mitos contemporâneos criada pelo grupo, “Mitologia Tropikal” fica em cartaz no Teatro Alfredo Mesquita, em São Paulo, até 16 de novembro, com entrada gratuita.

Com dramaturgia e direção de Caio D’aguilar, a peça atualiza lendas brasileiras de origem afro-indígena e cristã, muitas delas criadas no Brasil Colônia como narrativas de controle e medo durante o período escravocrata. Em linguagem fragmentada e ritualística, o espetáculo transforma essas histórias — como as do Saci, Curupira, Negrinho do Pastoreio e Mula sem Cabeça — em sátiras de terror político, revelando como as estruturas coloniais ainda moldam o país.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

“Essas lendas eram alertas sobre escravidão e desigualdade. Hoje, voltam para denunciar as novas formas de exploração que habitam o cotidiano”, afirma o diretor e dramaturgo Caio Daguilar em comunicado à imprensa.

Dividido em três atos — Filhos, Mães e Pais —, o espetáculo revisita personagens do imaginário popular que transitam entre o passado e o presente. O Curupira aparece como motoboy, inspirado no ativista Galo de Luta; o Saci remete ao massacre de Paraisópolis; e a Mula sem Cabeça, liberta de sua condenação religiosa, simboliza uma força feminina insurgente. As ações se desenrolam em tempos sobrepostos — da senzala às periferias, das fazendas coloniais aos aplicativos de entrega —, expondo como os fantasmas da colônia continuam a assombrar a vida brasileira.

Com consultoria histórica de Joaci Pereira e provocações de Kenan Bernardes, a montagem costura camadas simbólicas entre poder, fé e resistência. Em um dos momentos mais marcantes, a dramaturgia cita pequenos trechos do testamento real de Xica da Silva mesclado ao discurso de posse de Barack Obama como presidente dos EUA.

A banda URUKUM, de estilo Tupinikore — fusão de rock e metalcore com canto em tupi-guarani — divide o palco com o elenco, transformando a encenação em uma ópera-rock indígena contemporânea. A DJ e sonoplasta Saskia Peter, artista negra da Mamba Negra, assina a sonoridade eletrônica e faz feat com a banda, criando uma paisagem que cruza o ancestral e o digital.

Serviço

Espetáculo “Mitologia Tropikal”

Quando: até 16 de novembro de 2025

Onde: Teatro Alfredo Mesquita | Av. Santos Dumont, 1770 – São Paulo (Metrô Portuguesa–Tietê, 5 minutos)

Ingressos gratuitos distribuídos uma hora antes de cada sessão

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano