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Populações negras e pobres são mais vulneráveis a doenças provocadas por eventos climáticos, aponta estudo

Pesquisa do Instituto Pólis analisa Belém, São Paulo, Recife e Porto Alegre e mostra que racismo ambiental expõe negros a mais riscos, doenças e falta de infraestrutura
Imagem mostra um jovem caminhando em uma rua alagada enquanto segura um galão de água.

Imagem mostra um jovem caminhando em uma rua alagada enquanto segura um galão de água.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

4 de novembro de 2025

Pessoas negras e de baixa renda são as mais afetadas por eventos climáticos em capitais do Brasil. Em Belém, sede da 30ª Conferência das Partes (COP30), uma pessoa negra tem 30 vezes mais chance de internação por doença de veiculação hídrica que uma pessoa branca. A taxa de hospitalização por enfermidades transmitidas por mosquitos, como dengue e zika, é sete vezes a taxa registrada entre brancos na capital do Pará.

Os dados são do estudo “Racismo Ambiental e Injustiça Climática”, do Instituto Pólis. A pesquisa utilizou informações do Censo 2022 e de sistemas públicos de saúde. O levantamento analisou como os efeitos das mudanças climáticas – chuvas, inundações, deslizamentos e calor – impactam as populações de forma desigual.

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A pesquisa demonstra como as injustiças se materializam na vida da população de quatro capitais: Belém, São Paulo, Porto Alegre e Recife.

O Instituto Pólis aponta que os impactos acentuam diferenças de raça, classe, gênero e território. As populações negras, de baixa renda e famílias com chefia de mulheres ocupam territórios com mais vulnerabilidade, menos infraestrutura urbana e menos acesso a áreas verdes.

O mapa da desigualdade nas capitais

O estudo cruza dados demográficos do Censo 2022 com informações do Sistema de Internações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), áreas de risco do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Nacionais (CEMADEN) e do Serviço Geológico do Brasil, e dados de cobertura vegetal do MapBiomas. O padrão de desigualdade se repete nas outras cidades analisadas.

No Recife, por exemplo, áreas com maioria de população negra (82%) registram uma taxa de internação por doenças de veiculação hídrica de 25%. O índice cai para 15% em bairros de maioria branca (onde 29% são negros). O estudo também revela que 70% das favelas da capital pernambucana estão em áreas com baixa cobertura vegetal.

Na cidade de São Paulo, a desigualdade se manifesta no risco de deslizamentos e nas ilhas de calor. Distritos com maioria negra, como o Jardim Helena (73% de negros), concentram três vezes mais áreas de risco para deslizamentos do que distritos de maioria branca, como Pinheiros (10% de negros).

Em áreas de alta renda (acima de cinco salários mínimos), 41% possuem alta cobertura vegetal. Em áreas de baixa renda (até um salário mínimo), apenas 16% têm essa cobertura, o que intensifica a formação de ilhas de calor.

Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, 12% da população sofreu impacto pelas enchentes de 2024. O mapa de risco da cidade também evidencia o racismo ambiental: os territórios com maior concentração de população negra mostram mais exposição a inundações e possuem menor infraestrutura de drenagem.

Propostas para a justiça climática urbana

O Instituto Pólis afirma que os efeitos adversos das mudanças climáticas produzem consequências desproporcionais. O enfrentamento à crise climática, segundo o documento, deve ter orientação pelo combate às desigualdades estruturantes nas cidades.

São propostos quatro eixos de ação: urbanização de favelas com participação social, saneamento ambiental e ampliação de áreas verdes, fortalecimento da capacidade institucional dos municípios e oferta de serviços integrados de cuidado para grupos vulneráveis.

O estudo defende que meio ambiente e meio urbano não são antagônicos. A organização busca promover a justiça climática a partir da perspectiva do direito à cidade, com atenção para as populações em vulnerabilidade. O direito à cidade, conclui o estudo, reivindica que a ação climática seja parte da agenda urbana.

O dossiê completo com todos os indicadores das 4 capitais e análises de especialistas no tema será disponibilizado em breve no site do Instituto Pólis.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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