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Nigéria nega perseguição religiosa e responde a ameaça de intervenção militar de Trump

Governo nigeriano reage a declaração de presidente dos EUA sobre "assassinato de cristãos"; ministro cita compromisso constitucional com a liberdade religiosa
O presidente da Nigéria, Bola Ahmend Tinubu, preside sessão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) durante 66º encontro de chefes de Estado, em Abuja, Nigéria, 15 de dezembro de 2024

O presidente da Nigéria, Bola Ahmend Tinubu, preside sessão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) durante 66º encontro de chefes de Estado, em Abuja, Nigéria, 15 de dezembro de 2024

— Kola Sulaimon/AFP

4 de novembro de 2025

O governo da Nigéria afirmou nesta terça-feira (4) que não tolera perseguição religiosa, em resposta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou uma possível intervenção militar no país. O líder estadunidense havia acusado grupos jihadistas de promover o assassinato de cristãos em larga escala no território nigeriano.

Em coletiva de imprensa realizada em Berlim, o ministro das Relações Exteriores, Yusuf Tuggar, declarou que a Constituição nigeriana garante a liberdade religiosa e o Estado de Direito. “É impossível que exista qualquer forma de perseguição religiosa apoiada pelo governo da Nigéria”, afirmou.

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Tuggar destacou que o país mantém um compromisso constitucional com a pluralidade e rejeitou tentativas de dividir a população com base em crenças. “Devemos evitar criar outro Sudão. O que ocorreu lá mostra que a divisão por religião ou etnia leva à crise”, alertou o chanceler.

Acusação de Trump ignora contexto geopolítico nigeriano

As declarações de Trump foram feitas após ele afirmar, sem apresentar provas, que “milhares de cristãos estão sendo mortos” por extremistas islâmicos. O discurso teve ampla repercussão entre grupos conservadores dos Estados Unidos e da Europa, que têm acusado o governo nigeriano de omissão diante da violência.

A Nigéria, o país mais populoso da África, é marcada por uma divisão quase equilibrada entre o norte, majoritariamente muçulmano, e o sul, predominantemente cristão. O país enfrenta múltiplos conflitos internos, incluindo disputas por terra e recursos naturais entre fazendeiros cristãos e pastores muçulmanos, além da ação de milícias e grupos armados.

Os conflitos no centro e no norte da Nigéria têm causas complexas. Especialistas apontam que as tensões entre agricultores e pastores, intensificadas pela escassez de terras e mudanças climáticas, estão entre as principais fontes de violência. Além disso, grupos armados conhecidos como “bandidos” promovem sequestros, saques e ataques a vilarejos, atingindo indistintamente pessoas de diferentes religiões.

Analistas afirmam que, embora haja vítimas entre cristãos, a violência atinge igualmente a população muçulmana. “Nosso país entende que a diversidade pode ser uma força, mas também um fator de divisão e conflito, se mal administrada”, explicou o analista Ikemesit Effiong, da consultoria nigeriana SBM Intelligence. A informação é da Agence France-Presse (AFP).

Reação regional e possíveis motivações

A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), sediada em Abuja, divulgou comunicado afirmando que grupos extremistas têm atacado civis de todas as religiões. Sem mencionar diretamente Trump, a entidade alertou que alegações sobre perseguição a apenas um grupo “aprofundam a insegurança e enfraquecem a coesão social”.

Autoridades locais também sugeriram que o endurecimento do discurso dos EUA pode estar relacionado à recusa de Abuja em aceitar deportações de cidadãos de outros países africanos enviadas por Washington no contexto da política migratória do governo Trump.

O chefe das Forças Armadas da Nigéria, tenente-general Olufemi Oluyede, reiterou que não há perseguição sistemática a cristãos no país. “Não existem cristãos sendo perseguidos na Nigéria”, declarou.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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