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Sete em cada 10 deslocados enfrentam ameaça climática; Acnur pede ações concretas na COP30

Relatório da Acnur indica que, até 2040, o número de países com riscos climáticos extremos pode saltar de três para 65
Vista aérea das enchentes em Eldorado do Sul (RS), em 9 de maio de 2024.

Vista aérea das enchentes em Eldorado do Sul (RS), em 9 de maio de 2024.

— Nelson Almeida/AFP

11 de novembro de 2025

A Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) indica que, em 2025, ao menos 117 milhões de pessoas foram deslocadas por guerras, violência e perseguição. Destas, cerca de 75% em territórios com alta exposição a crises climáticas.

O relatório “Sem Escapatória II: o caminho a seguir” foi apresentado na última segunda-feira (10), durante o primeiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorre até o dia 21 de novembro, em Belém (PA).

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Segundo a Acnur, na última década, os eventos climáticos extremos causaram cerca de 250 milhões de deslocamentos internos em todo o mundo, o equivalente a 70 mil por dia. Entre os episódios descritos, o documento destaca as enchentes registradas no Brasil entre 2024 e 2025.

Os campos de refugiados em locais mais quentes poderão, de acordo com a agência, enfrentar quase 200 dias de calor extremo por ano, com sérios riscos para a saúde e a sobrevivência. 

O estudo também aponta que, até 2040, o número de países que enfrentam riscos climáticos extremos poderá aumentar de três para 65, um salto de aproximadamente 2.000%. Entre os países, estão Camarões, Chade, Sudão do Sul, Nigéria, Brasil, Índia e Iraque.

Em nota, o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, avaliou que os eventos climáticos extremos ampliam os riscos à segurança das pessoas e limitam o acesso a serviços essenciais. 

“Essas pessoas já sofreram perdas imensas e agora enfrentam novamente as mesmas dificuldades e devastação. Elas estão entre as mais afetadas por secas severas, inundações e ondas de calor recordes, com os recursos mais escassos para se recuperar”, diz o alto comissário em nota.

Grandi ressaltou que a existência de um sistema de financiamento climático “profundamente desigual” e a falta de subsídios adequados contribuem para o aumento da fragilização de populações já marginalizadas. Para ele, a COP30 representa uma oportunidade de produzir ações concretas sobre o tema.

“Os cortes no financiamento estão limitando severamente nossa capacidade de proteger refugiados e famílias deslocadas dos efeitos do clima extremo. Se queremos estabilidade, devemos investir onde as pessoas estão em maior risco. Para evitar novos deslocamentos, o financiamento climático precisa chegar às comunidades que já vivem em situação precária. Elas não podem ser abandonadas. Esta COP deve produzir ações concretas, não promessas vazias”, declarou.

O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30a edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA).

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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