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Dono de empresa de segurança da COP30, policial da reserva já foi acusado de extorsão e alvo de operação da PF

A Jaguar Segurança, prestadora do serviço de segurança da COP30, é de Edson Campos de Lira, subtenente da reserva da Polícia Militar do Pará.
Foto: Vinícius Martins/Alma Preta.

Agente da empresa Jaguar Segurança na Blue Zone durante a COP30, em Belém.

— Foto: Vinícius Martins/Alma Preta.

17 de novembro de 2025

Dono de uma das empresas contratadas para a fazer a segurança Conferência do Clima (COP30), o subtenente da reserva da Polícia Militar Edson Campos de Lira já foi denunciado pelo Ministério Público do Pará (MP/PA) por ter participado supostamente da extorsão de um traficante em Belém.

Lira é proprietário da Jaguar Segurança, que presta serviço na Blue Zone da conferência ambiental. Outra empresa de segurança na qual ele era procurador, a Spider Tático, já contratou profissionais de maneira irregular e entregou armas para pessoas sem o porte para o trabalho.

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O caso de extorsão foi investigado pela Corregedoria da Polícia Militar do Pará. Lira chegou a ficar aproximadamente um mês preso de maneira preventiva, mas foi inocentado em primeira e segunda instância pela Justiça Militar. 

No documento do MP/PA está registrado que a pessoa que denunciou o caso foi assassinada dois dias depois da tentativa de extorsão.

Na noite de 11 de novembro, os seguranças da Jaguar entraram em confronto com manifestantes, a maioria indígenas, que tentaram entrar no espaço oficial do evento sem credenciamento. Os seguranças atuaram junto dos policiais das Nações Unidas, que trabalham no evento, para impedir o avanço do protesto.

Quem é Edson Campos de Lira?

Edson Campos de Lira é um policial militar da reserva desde outubro de 2022, segundo o Diário Oficial do Pará. Mas ele abriu a sua primeira empresa de segurança, a Pantera Negra Segurança LTDA, em 25 de novembro de 2020, quando ainda estava na ativa da corporação. 

Isso indica que, por pelo menos dois anos, ele desrespeitou o Estatuto dos policiais militares da Polícia Militar do Estado do Pará, onde está escrito que “ao Policial-Militar da ativa é vedado comerciar ou tomar parte na administração ou gerência de sociedade ou dela ser sócio ou participar, exceto como acionista ou quotista em sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada”. 

Sua empresa, a Jaguar Segurança, está fazendo a segurança da Zona Azul (Blue Zone) da COP30, onde são feitas as negociações oficiais.

Ela foi contratada pela DMDL Ltda., empresa responsável pela “operação geral do evento” nesse pavilhão. Segundo o site de transparência da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), que fez a gestão de licitações para a Conferência do Clima, a DMDL recebeu R$ 211 milhões para prestar esses serviços.

A Alma Preta procurou a Jaguar Segurança por e-mail, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. O espaço continua aberto para manifestação.

Extorsão de ex-presidiário em Belém

No dia 28 de agosto de 2013, Lira e outros policiais foram acusados de tentarem extorquir Márcio da Silva, que havia saído da prisão dois dias antes. Os policiais foram denunciados por pedirem R$ 2 mil ou uma televisão de led para a vítima. 

De acordo com a denúncia do MP/PA, as viaturas abordaram o homem no Porto da Palha, em Belém, e os agentes de segurança passaram a pressionar por telefone a esposa da vítima, Valdeni Landeira, para reforçar a necessidade do pagamento. 

Ela, contudo, seguiu em diálogo com eles e se dirigiu para a corregedoria da polícia, onde conversou com os policiais de plantão e deixou a ligação por viva voz para que os corregedores pudessem ouvir. Durante o diálogo, o grupo em que Lira estava havia afirmado que, sem o dinheiro, eles forjariam drogas com Márcio da Silva.

Depois de serem questionados pelos corregedores, os policiais tiveram de liberar Márcio da Silva e foram para a corregedoria da polícia. O Ministério Público lamentou que, em nome do corporativismo, eles não tenham sido presos. De acordo com a denúncia do MP, Lira liderou a extorsão.

Ainda segundo a denúncia do MP, Valdeni Landeira foi executada por dois homens armados dois dias depois de denunciar o caso à corregedoria. Ela estava na companhia do filho, que não se feriu. De acordo com a testemunha, um dos assassinos se parecia com um dos policiais participantes da extorsão.

Trecho do Ministério Público do Pará que menciona o assassinato de Valdeni, em 2013. Imagem: Reprodução/MP/PA.

Os policiais foram denunciados pelo MP por conta da extorsão, e Lira chegou a ficar preso de maneira preventiva por cerca de um mês. A defesa do policial alegou ausência de provas, disse que ele não conhecia Márcio da Silva e afirmou que o policial não estava no local do crime. 

Os policiais, julgados pela Justiça Militar, foram todos inocentados em primeira e segunda instância. Para a justiça do Pará, faltaram provas para condenar os agentes de segurança pública.

Alvo de operação da PF

Em 8 de junho de 2018, a Polícia Federal deflagrou a operação Segurança Privada Legal II, com o objetivo de combater empresas de segurança privada irregulares. Por conta de uma denúncia, agentes federais inspecionaram um espaço comercial que contratava a Spider Tático.

A empresa estava no nome de Derick Patrick Barreto de Lira, mas o procurador responsável pela companhia era Edson Campos de Lira.

Quando os policiais federais chegaram, um trabalhador da empresa estava armado, mesmo sem ter autorização legal para portar armas ou sem o certificado para atuar como segurança privado. Ao ser abordado, disse que a arma foi entregue por Edson. O trabalhador ainda disse que já trabalhava para a empresa há oito meses e chegou a ser preso em flagrante.

O policial militar, quando foi interrogado, disse que a empresa de segurança estava em processo de cadastramento junto à Polícia Federal. Portanto, não tinha a permissão para atuar de maneira legal. Edson Campos de Lira também negou ter dado a arma para o trabalhador.

Em dezembro de 2018, Lira foi denunciado pelo Ministério Público por fornecer arma ilegal descrito na condição de “Policial Militar”, então na posição de 1º sargento, lotado na CPR9.

Durante as audiências do caso, o trabalhador mudou a versão dos fatos, disse que a arma não foi dada por Lira e assinou uma confissão de que portava arma de maneira ilegal. A justiça pediu para ele efetuar o pagamento de um salário mínimo. A defesa do policial da reserva então pediu para ele ficar fora do processo.

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  • Pedro Borges

    Pedro Borges é cofundador, editor-chefe da Alma Preta. Formado pela UNESP, Pedro Borges compôs a equipe do Profissão Repórter e é co-autor do livro "AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar", vencedor do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Artes.

  • Camila Rodrigues da Silva

    Jornalista com mestrado em Economia e doutoranda em Demografia. Editora e repórter, com quase 20 anos de experiência em redações da grande imprensa e de veículos independentes de comunicação. Atuo na cobertura de direitos humanos desde 2012.

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