Os presidentes da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, e de Ruanda, Paul Kagame, desembarcam em Washington na quinta-feira (4) para assinar um acordo de paz e cooperação econômica patrocinado pelos Estados Unidos.
O anúncio foi feito pela Casa Branca na segunda-feira (1º) e marca a segunda tentativa de mediação realizada em 2025 pelo governo norte-americano, após o fracasso de um pacto assinado por chanceleres dos dois países em junho.
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Segundo a porta-voz Karoline Leavitt, Donald Trump receberá os dois líderes para firmar um documento descrito como “histórico”. O teor exato do novo acordo ainda não foi detalhado, e não há confirmação de que ele represente mudanças estruturais em relação ao pacto anterior, que não conteve a violência no leste congolês.
A RDC confirmou oficialmente a participação de Tshisekedi. Sua porta-voz, Tina Salama, disse que o presidente viajará para “ratificar um acordo de paz com Ruanda” e também um “acordo de integração regional”, ponto que Kinshasa considerava essencial desde o início de seu mandato.
Salama afirmou que qualquer compromisso passa pelo “respeito à soberania” do território congolês e pela retirada de tropas ruandesas do país, além da reconstrução da confiança política entre os dois lados.
O governo ruandês, por meio do ministro das Relações Exteriores Olivier Nduhungirehe, também confirmou a ida de Kagame a Washington.
President Kagame has arrived in Washington, D.C., where he will meet with President Donald Trump @realDonaldTrump and join the signing of the Washington Accord. pic.twitter.com/0P18KrIpLd
— Presidency | Rwanda (@UrugwiroVillage) December 3, 2025
Conflito avança apesar de tentativas diplomáticas
A nova rodada de negociações ocorre sob forte pressão internacional. O leste da RDC vive três décadas de guerra, marcada pela atuação de grupos armados locais e estrangeiros. Em janeiro, o M23, grupo apontado por Kinshasa e pela Organização das Nações Unidas (ONU) como apoiado por Ruanda, ampliou seu controle territorial e tomou cidades estratégicas como Goma e Bukavu.
Ruanda condiciona o fim de suas “medidas defensivas” à neutralização das Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR), grupo hutu presente no Congo, que possui vínculos históricos com o genocídio de 1994.
Enquanto Kinshasa acusa Ruanda de intervir militarmente por meio do M23, Kigali afirma que o governo congolês não cumpre compromissos de segurança bilateral. Na semana anterior ao anúncio da Casa Branca, Kagame acusou publicamente a RDC de atrasar a assinatura de um acordo de paz.
O novo pacto também está conectado a interesses econômicos. A região do Kivu e áreas próximas, no leste da RDC, concentram reservas de minerais essenciais para a indústria tecnológica. O governo Trump reconheceu, em comunicados recentes, que busca fortalecer o acesso dos EUA a esses recursos, em um contexto de disputa com a China pelo controle de cadeias globais de suprimento.
Trump já afirmou em discursos que teria “encerrado guerras” em países como a RDC, apesar da escalada militar continuar. Em reuniões de novembro, representantes dos dois países reconheceram “progresso lento” no acordo de junho, mas concordaram em trabalhar para reduzir tensões.