PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Trump afirma na ONU ter encerrado guerra na RD Congo, mas realidade contradiz declaração

Enquanto ex-presidente dos EUA credita a si mesmo o fim de conflitos, governo da República Democrática do Congo denuncia massacres sistemáticos e a presença de tropas estrangeiras em seu território
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante a 80ª Assembléia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, na cidade de Nova Iorque, em 23 de setembro de 2025.

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante a 80ª Assembléia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, na cidade de Nova Iorque, em 23 de setembro de 2025.

— Timothy A. Clary/AFP

23 de setembro de 2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante a abertura da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (23), que encerrou sete guerras “intermináveis”, entre elas as da República Democrática do Congo (RDC) e Ruanda. Segundo o chefe de Estado, os conflitos, alguns com mais de três décadas de duração, teriam terminado após negociações diretas com líderes de diferentes países.

Trump criticou a ONU, dizendo que a organização não ofereceu soluções e apenas acompanhou os processos após os fatos. “Por enquanto, tudo o que fazem é escrever cartas com palavras duras que nunca são seguidas de ações. São palavras vazias — e palavras vazias não resolvem guerras”, declarou.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Ele também mencionou os Acordos de Abraão, firmados durante seu mandato, e afirmou que os EUA salvaram “milhões de vidas” ao encerrar conflitos no Oriente Médio, Ásia e África. 

A realidade do conflito no leste do Congo

As conversas de cessar-fogo mencionadas por Trump não chegaram a uma conclusão, e a RDC continua sob ataque. Desde janeiro, o grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, tomou cidades estratégicas como Goma, capital de Kivu do Norte, e Bukavu, em Kivu do Sul. Estimativas divulgadas em fevereiro apontavam para 7 mil mortes em apenas dois meses de conflito. O número não teve atualização oficial desde então, conforme relatado em reportagem da Alma Preta.

Em Kinshasa, a população reagiu com protestos contra as agressões. A embaixada de Ruanda chegou a ser alvo de ataques, em meio à insatisfação popular tanto com o vizinho quanto com a inércia do Ocidente diante da invasão de Goma.

No início de setembro, o governo congolês iniciou campanha na ONU para que a violência no leste do país seja reconhecida como genocídio. O ministro dos Direitos Humanos, Samuel Mbemba, afirmou em Genebra que “o mundo precisa quebrar o silêncio”, acusando Ruanda e o M23 de massacres sistemáticos contra civis.

Entre os episódios denunciados estão o massacre de quase 300 pessoas em julho em Rutshuru, em Kivu do Norte, e a execução de mais de 140 civis de origem hutu, documentada pela Human Rights Watch.

Acusações de genocídio contra Ruanda na ONU

No início de setembro, o governo da República Democrática do Congo iniciou uma campanha na ONU para que a violência no leste do país seja reconhecida como genocídio. Em Genebra, na Suíça, o ministro dos Direitos Humanos, Samuel Mbemba, afirmou que “o mundo precisa quebrar o silêncio” e acusou Ruanda e a milícia M23 de praticarem massacres sistemáticos contra civis.

Para o ministro, episódios como o massacre de quase 300 pessoas em julho em Rutshuru e a execução de mais de 140 civis de origem hutu, denunciada pela organização Human Rights Watch, demonstram a escala dos crimes.


A violência no leste da RDC persiste há mais de três décadas, alimentada por grupos armados e pela disputa pelo controle de recursos minerais. O ressentimento da população contra Ruanda é antigo e se expressa em desconfiança cotidiana.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano