Idealizado e interpretado por Leidy Nara, “Tereza” busca refletir sobre a ausência de protagonismo de mulheres negras na historiografia brasileira e sobre o impacto desse apagamento na formação identitária do país. Como continuidade à pesquisa cênica iniciada em 2023 sobre Tereza de Benguela, líder do Quilombo do Quariterê no século XVIII, o espetáculo será apresentado ao público neste sábado (13), às 19h, no Centro Esportivo Unificado (CEU), em Poços de Caldas (MG), com entrada gratuita.
Motivada pela necessidade da preservação da memória e disputas de narrativas historiográficas a partir da atuação de mulheres negras, Leidy traz em seu processo criativo a preparação corporal com Adnã, trilha sonora de Augusta Clementino (Guta), Geisiane de Sousa e Marina Rosa, além de pesquisa histórica e visual voltada ao contexto do Quilombo do Quariterê. Assim, se propõe a contribuir para o debate sobre representatividade, igualdade racial e educação antirracista, articulando passado e presente a partir da linguagem teatral.
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“Ser uma mulher preta nessa sociedade racista que vivemos é um desafio e falar de Tereza é dar voz a uma história silenciada e apagada propositalmente. Por isso a importância de se falar de uma mulher preta que foi rainha e que ainda é rainha”, pontua a artista.
Tereza de Benguela viveu no século XVIII e liderou o Quilombo do Piolho, também chamado Quilombo do Quariterê, situado na região que corresponde hoje à fronteira entre Mato Grosso e Bolívia. Após o assassinato de seu marido, José Piolho, líder do quilombo, Tereza assumiu a condução da comunidade, composta por cerca de 79 negros e 30 indígenas.
Sob sua liderança, o quilombo estruturou um sistema político e econômico próprio, funcionando como um parlamento e mantendo atividades agrícolas e comerciais. Registros indicam que utilizava embarcações para circulação no Pantanal, fortalecendo sua autonomia e estratégia territorial. A morte de Tereza segue sem consenso histórico: algumas versões apontam suicídio após captura; outras, execução. Seu legado permanece como referência na história contra a opressão colonial.
Serviço
Data: 13 de dezembro de 2025
Horário: 19h
Local: CEU – Rua Miguel Calixto, 1153, Poços de Caldas (MG)
Entrada gratuita