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RD Congo diz que anúncio de saída do M23 de Uvira é ‘manobra de distração’

Governo congolês afirma que milícia ainda está na cidade estratégica e exige a saída de tropas ruandesas. EUA também dizem não ver evidências de retirada
Willy Ngoma, porta-voz militar do grupo M23, em Uvira.

Willy Ngoma, porta-voz militar do grupo M23, em Uvira.

— Reprodução/Redes Sociais

18 de dezembro de 2025

O governo da República Democrática do Congo (RDC) declarou, nesta quarta-feira (17), que o anúncio do grupo armado M23 sobre uma retirada da cidade estratégica de Uvira é uma “distração”. O porta-voz do governo, Patrick Muyaya, afirmou que a declaração é um “não evento, uma diversão, uma manobra de distração”. Ele ressaltou que o que o país aguarda é “a retirada das tropas ruandesas de todas as partes do nosso território”.

Muyaya usou uma metáfora familiar para descrever a situação: “O filho, M23, se oferece em sacrifício diante do mediador americano para proteger o pai, Ruanda”. O grupo, apoiado por Ruanda, tomou Uvira na semana passada, dias após a assinatura de um acordo de paz entre os dois países, pacto que o presidente dos EUA, Donald Trump, chamou de “grande milagre”.

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Os Estados Unidos também manifestaram ceticismo em relação ao anúncio. Um porta-voz do Departamento de Estado disse à AFP que não viram “evidências críveis que sugiram que o M23 está a tomar medidas para se retirar de Uvira e da área circundante”. A declaração americana incluiu um apelo a Ruanda para que termine seu apoio aos rebeldes e “saia rapidamente do leste da RDC”.

Moradores de Uvira relataram à agência de notícias que combatentes do M23 ainda permaneciam na cidade nesta quarta-feira. A captura de Uvira permitiu ao grupo controlar a fronteira terrestre com o Burundi e isolar a RDC de apoio militar do país vizinho.

Ofensiva agrava crise humanitária e tensões diplomáticas

O avanço mais recente do M23 colocou o futuro do processo de paz em dúvida e aumentou os temores de uma guerra regional mais ampla. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou no sábado que Ruanda violou claramente o acordo de paz de 4 de dezembro e prometeu “ação” em resposta. Um dia antes, o embaixador dos EUA na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, acusou Ruanda de “conduzir a região para mais instabilidade e para a guerra”.

O porta-voz congolês, Patrick Muyaya, acusou o presidente ruandês, Paul Kagame, de buscar “consolidar seu controle sobre esta parte do nosso país através da violência”. Ele argumentou que essas ações “pioram uma situação humanitária já catastrófica”. 

Autoridades burundinesas disseram na terça-feira (16) que pelo menos 85 mil refugiados fugiram para o Burundi desde o avanço do M23, com os números aumentando a cada dia.


O leste rico em minerais da RDC sofre há  três décadas com conflitos. Desde que retomou as armas em 2021, o M23 conquistou vastos territórios, o que levou a uma crise humanitária em espiral.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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